XP vê momento “mais benigno” para FIIs de tijolo e lista oportunidades; veja quais

A XP Investimentos divulgou uma nova análise sobre o mercado de fundos imobiliários e apontou oportunidades em diferentes segmentos da indústria.

Entre as recomendações da casa estão os fundos TEPP11 (Tellus Properties), BTLG11 (BTG Pactual Logística), MCCI11 (Mauá Capital Recebíveis) e RBRX11 (RBR Plus Multiestratégia), que representam exposições distintas dentro do universo de FIIs.

Segundo os analistas Marx Gonçalves e Eduardo Bacelar, da equipe de research da XP, o momento atual do mercado tende a ser mais favorável para fundos de tijolo, especialmente diante da expectativa de queda dos juros ao longo do ciclo econômico.

Na avaliação dos especialistas, o mercado de FIIs atravessa uma fase considerada mais benigna, principalmente para ativos mais sensíveis à taxa de juros.

Evolução do VM/VP dos fiis de papel e tijolo. Foto: XP

“O mercado se encontra atualmente em uma fase mais benigna, especialmente para os FIIs de tijolo, dada sua maior sensibilidade às variações dos juros”, afirmam os analistas no relatório.

Contudo, a equipe da XP comenta que o cenário ainda exige cautela. As incertezas no ambiente global e doméstico seguem presentes, o que reforça a importância de manter uma postura mais defensiva na construção das carteiras.

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Escritórios e logística aparecem entre os destaques

Entre os segmentos analisados, o mercado de lajes corporativas aparece com potencial de valorização. A retomada gradual do trabalho presencial tem fortalecido a ocupação de edifícios de escritórios em São Paulo, melhorando o desempenho operacional de diversos fundos.

Para a XP, o segmento ainda negocia com descontos relevantes e pode apresentar recuperação adicional ao longo de 2026, especialmente em ativos localizados nas regiões mais consolidadas da capital paulista.

Outro destaque positivo é o setor de galpões logísticos, que segue sustentado pela forte demanda gerada pelo avanço do comércio eletrônico. Segundo os analistas, o mercado mantém taxas de vacância próximas de mínimas históricas no Brasil.

Esse cenário tem permitido reajustes consistentes nos contratos de locação e sustentado resultados operacionais robustos para os fundos do segmento.

No caso dos shoppings centers, a XP observa um desempenho mais moderado, porém consistente. Em 2025, a ocupação média dos fundos acompanhados pela casa atingiu 96,3%, enquanto indicadores como inadimplência e descontos concedidos aos lojistas permaneceram em níveis saudáveis.

Crédito imobiliário e multiestratégia mantêm papel defensivo

No segmento de fundos de recebíveis imobiliários, a XP mantém uma visão construtiva, apesar da expectativa de distribuições ligeiramente menores em 2026.

Os fundos indexados ao CDI devem continuar atrativos enquanto a taxa básica de juros permanecer em dois dígitos. Já os veículos atrelados ao IPCA oferecem proteção contra inflação e podem se beneficiar de eventual queda nas taxas dos títulos públicos indexados à inflação.

A casa também aponta oportunidades nos fundos multiestratégia e fundos de fundos (FOFs), que podem se beneficiar de um ciclo positivo para o mercado de FIIs.

Segundo os analistas, esses veículos negociam atualmente com um duplo desconto — tanto em relação ao valor patrimonial quanto ao valor das cotas dos fundos investidos — o que pode sustentar dividend yields competitivos.

Fiagros e FI-Infra exigem maior seletividade

Em relação aos Fiagros, a XP avalia que o cenário exige maior cautela. Após forte recuperação em 2025, muitos fundos do setor passaram a negociar próximos ao valor patrimonial, reduzindo a margem de segurança para novos investimentos.

Diante disso, a recomendação é priorizar veículos com carteiras de crédito de alta qualidade, diversificação adequada e reservas robustas.

Já os fundos de infraestrutura (FI-Infra) seguem com perspectiva construtiva, embora os spreads de crédito permaneçam comprimidos após a forte valorização observada no ano anterior.

Para a equipe da XP, os fundos mais bem posicionados são aqueles com carteiras diversificadas, duration reduzida e exposição a devedores com elevado rating, além de níveis relevantes de caixa para aproveitar eventuais oportunidades no mercado secundário.

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GPA é risco para os FIIs?

Entre os fundos imobiliários de tijolo acompanhados pela XP Investimentos, apenas dois possuem exposição ao Grupo Pão de Açúcar (GPA) por meio de contratos de locação: TEPP11 e BRCO11.

Segundo a análise da casa, o pedido de recuperação extrajudicial apresentado pela companhia não deve gerar impacto financeiro relevante para esses fundos, uma vez que o processo envolve apenas dívidas não operacionais.

Dessa forma, compromissos ligados às atividades correntes da empresa — como pagamento de fornecedores, salários e aluguéis — continuam sendo realizados normalmente.

No caso dos fundos de papel com exposição indireta à companhia, a avaliação é semelhante: como as operações estão ligadas às atividades operacionais do varejista, a expectativa é de que não haja impactos relevantes decorrentes do pedido de recuperação extrajudicial.

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