Wall Street fecham em alta após Trump afirmar que a guerra no Irã “está praticamente concluída”

Os índices de Wall Street, que iniciaram a sessão com queda de 1%, ganharam fôlego na reta final do pregão com expectativas de um cessar-fogo no Irã nas próximas semanas.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: +0,50%, aos 47.740,80 pontos;
  • S&P 500: +0,83%, aos 6.795,99 pontos; 
  • Nasdaq: -1,38%, aos 22.695,94 pontos.

O que mexeu com Wall Street hoje?

A escalada das tensões geopolíticas continua a ser o centro das atenções dos investidores. O conflito no Irã completou 10 dias nesta segunda-feira (9).

No fim de semana, o país persa nomeou Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei – que foi morto nos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel no Irã em 28 de fevereiro–, como líder supremo, sinalizando que os linha-dura continuam firmemente no comando em Teerã.

Em ocasiões anteriores, o presidente norte-americano, Donald Trump disse que gostaria de ser envolvido na escolha do próximo líder do Irã, assim como na Venezuela. Ele também já havia falado que a nomeação de Mojtaba seria “inaceitável”.

Nesta segunda-feira, Trump reiterou que “não está feliz” com a escolha de Mojtaba Khamenei. Questionado pelo jornal New York Post sobre seus planos em relação a novo líder supremo, Trump respondeu: “Não vou dizer a vocês. Não estou satisfeito com ele.”

Ele também afirmou que os EUA ainda estão “longe” de ordenar o envio de tropas ao Irã para proteger as instalações subterrâneas de enriquecimento de urânio em Isfahan. “Não tomamos nenhuma decisão sobre isso. Estamos longe de chegar a um acordo”, disse.

Mas, no final da tarde, o presidente norte-americano declarou, em entrevista à CBS News, que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída”. A afirmação reverteu a aversão a risco dos investidores, com reação positiva no mercado acionário.

O mandatário deve realizar uma entrevista coletiva ainda hoje, após o fechamento dos mercados.

O mercado ainda continuou a precificar os possíveis impactos da disparada recente do petróleo na inflação. Hoje, os contratos futuros do Brent superaram US$ 100 o barril, no maior valor desde meados de 2022, quando começou a guerra na Ucrânia.

Trump declarou que a alta nos preços de petróleo no curto prazo são um “preço muito pequeno a pagar” para eliminar a ameaça nuclear iraniana.

Além da escalada das tensões, a commodity foi pressionada por cortes de produção no Golfo. Kuwait e Emirados Árabes Unidos começaram a reduzir a extração diante do rápido aumento dos estoques, provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. O Iraque já havia iniciado paralisações na produção na semana passada.

Nas contas do UBS BB, o aumento permanente de US$ 10 por barril do petróleo eleva o CPI em cerca de 40 pontos-base, principalmente ao longo de 6 a 12 meses.

Dados em segundo plano

Os dados macroeconômicos ficaram em segundo plano. Entre eles, a unidade do Federal Reserve (Fed) de Nova York divulgou que as expectativas medianas de inflação no horizonte de 1 ano dos consumidores norte-americanos caíram 3,1% em janeiro para 3% em fevereiro.

Já as expectativas para os horizontes de três anos e cinco anos permaneceram estáveis em 3%, respectivamente.

O mercado também operou à espera de novos dados de inflação. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), que embora não seja a principal referência de inflação do Fed, ajuda a calibrar as expectativas do mercado, será divulgada quarta-feira (11). O dado será referente ao mês de fevereiro.