Vamos (VAMO3) e Movida (MOVI3) despencam; o que está por trás da forte queda das ações?

As ações da Vamos (VAMO3) despencam nesta sexta-feira (6) e lideram as perdas do Ibovespa (IBOV)  

Por volta de 12h10 (horário de Brasília), VAMO3 caía 5,61%, a R$ 4,04. Na mínima intradia, as ações da companhia chegaram a recuar 8,88% (R$ 3,90). Acompanhe o Tempo Real.  


Já as ações da Movida (MOVI3), negociadas fora do Ibovespa, também operam entre as maiores quedas do mercado brasileiro. No mesmo horário, MOVI3 recuava 6,90%, a R$ 12,41. Mais cedo, os papéis chegaram a cair 9,08%, sendo cotados a R$ 12,12. 


A queda é puxada pela forte desvalorização das ações da holding Simpar (SIMH3), que recua 2% na B3, após o anúncio de um aumento de capital bilionário que terá a divisão de participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar) como investidor âncora.  

A JSP Participações – da família Simões e controladora da Simpar – e investidores institucionais também coordenaram o aumento de capital de até R$ 3,4 bilhões para o grupo.  

De acordo com a Simpar, o aporte da BNDESPar pode chegar a cerca de R$ 1,5 bilhão – distribuídos entre a holding e as controladas Vamos e Movida.   

Ao final das transações a BNDESPar, que vai subscrever no máximo 50% das ações a serem emitidas, terá até 10% de participação no capital social de cada companhia. 

O preço por ação do aumento de capital da Simpar será de R$ 11,24. Na Movida, a locadora de carros do grupo, o preço por ação será de R$ 11,72, enquanto na Vamos, a locadora de caminhões, de R$ 3,85. 

Ontem (5), SIMH3 encerrou as negociações a R$ 11,83, MOVI3 fechou a R$ 13,33 e VAMO3, a R$ 4,28. 

O que dizem os analistas?  

Na avaliação do BTG Pactual, o aumento de capital representa um “passo relevante” na redução da alavancagem da companhia – que não apenas pressionava os resultados financeiros, mas também criava uma estrutura tributária ineficiente na Simpar –, ainda que o operação dilua a participação dos atuais acionistas. 

A equipe do banco ainda afirma que os aumentos de capital nas subsidiárias Vamos e Movida devem funcionar como catalisadores adicionais para a geração de valor, complementando as melhorias operacionais em curso, especialmente em um cenário de quedas de juros. 

Nas contas dos analistas, a injeção de capital deve acelerar o processo de desalavancagem das duas empresas em cerca de 0,1x. 

“Embora reconheçamos a diluição e o desconto da operação, vemos os anúncios como um passo importante para enfrentar a estrutura de capital altamente alavancada do grupo”, escreveram Fernanda Recchia, Lucas Marquiori, Marcel Zambello e Samuel Alkmin, em relatório.