UBS aumenta projeção para preço do petróleo e alerta para “destruição de demanda” se Estreito de Ormuz seguir fechado

O UBS WM elevou suas projeções para o preço do petróleo e passou a ver o barril do Brent em US$ 90 em junho, após a escalada do conflito envolvendo o Irã e as restrições ao fluxo da commodity no Golfo Pérsico. O banco também alertou que, caso o Estreito de Ormuz não seja liberado até o fim de março, o mercado pode enfrentar um choque de preços capaz de provocar destruição de demanda global da commodity.

Em relatório, o estrategista de commodities do banco, Giovanni Staunovo, afirmou que a dinâmica atual favorece preços mais altos enquanto o gargalo logístico persistir.

“O caminho de menor resistência para os preços do petróleo continua sendo de alta enquanto os fluxos através do Estreito permanecerem restritos”, escreveu Staunovo.

A revisão representa uma mudança relevante em relação às estimativas anteriores do banco. Antes do conflito, o UBS projetava o Brent em US$ 65 por barril em junho e setembro, US$ 67 em dezembro de 2026 e US$ 67 em março de 2027. Agora, as novas estimativas apontam, como já mencionado, para US$ 90 em junho, US$ 85 em setembro e dezembro e US$ 80 em março de 2027.

Segundo o banco, a principal premissa do cenário é que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz seja normalizado até o fim de março ou início de abril. Caso isso ocorra, os preços ainda devem permanecer acima dos níveis observados antes do conflito, já que a retomada da produção e das exportações tende a ocorrer de forma gradual.

“Mesmo com a retomada dos fluxos, os preços devem permanecer acima dos níveis pré-conflito, pois levará tempo para que a produção e as exportações retornem ao normal”, afirmou o banco.

Por outro lado, o UBS alerta que um bloqueio prolongado pode gerar um choque muito mais severo no mercado global de energia. “Se a disrupção durar mais tempo, os preços podem ultrapassar US$ 150 por barril e provocar destruição significativa de demanda”, escreveu Staunovo.

O conflito no Oriente Médio entrou na terceira semana com restrições relevantes ao tráfego de navios no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo. No fim da última semana, o carregamento de petroleiros na região praticamente parou.

Para mitigar o impacto no mercado, países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) decidiram liberar 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas, em um processo que deve durar cerca de três meses. Ainda assim, o UBS avalia que a medida cobre apenas uma fração da interrupção atual na oferta global.

“O volume liberado ajudará a aliviar parte da disrupção, mas cobre apenas uma pequena fração da perda de oferta”, afirmou o banco.

Segundo o banco, mesmo que os preços elevados incentivem produtores americanos de xisto a aumentar investimentos, a resposta da oferta levaria tempo para aparecer no mercado.

“Se as empresas decidirem investir mais, provavelmente levará cerca de seis meses para que uma resposta mais significativa da oferta se torne visível”, disse Staunovo.