Taxas dos DIs disparam com petróleo acima dos US$ 100 e temor inflacionário

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) exibem altas fortes nesta manhã de segunda-feira (9), em mais um dia de aversão a risco nos mercados globais e de preocupações com a inflação por conta da guerra no Oriente Médio, com o barril do petróleo sendo negociado acima dos US$ 100.

Às 9h38, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,395%, em alta de 23 pontos-base ante 13,17% do ajuste da véspera. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,04%, com elevação de 18 pontos-base ante 13,856%.

No fim de semana o Irã nomeou Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei, como líder supremo, em uma sinalização de que a vertente linha-dura segue no comando em Teerã, uma semana após o início do conflito com os Estados Unidos e Israel.

Anteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia afirmado que a nomeação de Mojtaba seria “inaceitável”.

Neste cenário, investidores iniciaram esta segunda-feira na ponta de venda de ações e compra de dólares, em busca de liquidez e proteção, enquanto o barril de petróleo disparou em Londres e em Nova York. Os rendimentos dos Treasuries também sobem, em meio às preocupações de que a alta do petróleo poderá impulsionar a inflação nos EUA.

Às 9h38, o rendimento do Treasury de dois anos –que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha alta de 4 pontos-base, a 3,6%. O retorno do título de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 4 pontos-base, a 4,173%.

No mercado brasileiro de renda fixa, os DIs também são castigados pela aversão ao risco e pelas preocupações de que o petróleo pode gerar inflação, o que exigiria um Banco Central mais comedido em seu ciclo de cortes da taxa básica Selic, hoje em 15%.

Ao longo de toda a curva a termo, as taxas dos DIs exibem ganhos próximos de 20 pontos-base nesta manhã.

Na B3, as opções de Copom precificavam na quinta-feira — dado mais recente — 58,00% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic este mês, 30,00% de chance de redução de 25 pontos-base e 9,50% de possibilidade de manutenção. Antes da guerra, os percentuais eram de 77,50% para corte de 50 pontos-base, 20,04% para redução de 25 pontos-base e zero para manutenção.