SP cresce em lajes corporativas, enquanto RJ enfrenta dependência do setor público

No mercado de escritórios, São Paulo virou palco de estreias — enquanto o Rio de Janeiro segue preso a um jogo que o setor conhece bem: pouco crescimento real e muita troca de inquilinos entre prédios. A leitura é de Fernando Didziakas, sócio da Buildings, que analisa de perto cada movimento dos principais centros corporativos do país.
Segundo ele, a capital paulista continua sendo um ecossistema diverso, mas há dois segmentos que vêm puxando a fila das novas ocupações: mercado financeiro e, principalmente, tecnologia. “São Paulo não vive de um único setor. Mas gestoras, bancos e corretoras seguem como grandes tomadores de área — e as empresas de tecnologia têm crescido ainda mais nesse movimento”, afirmou no Liga de FIIs, do InfoMoney.
Um levantamento recente da Buildings mostrou que, ao analisar todas as absorções líquidas de empreendimentos classe A em um período de 12 meses, duas tendências chamaram atenção. A primeira: a maior parte das empresas estava expandindo, e não apenas realocando escritórios. “É o típico caso de ocupante que tinha 5 mil m² e passa para 7 mil ou 8 mil m², acompanhando crescimento”, explica.
A segunda é ainda mais relevante: 10% de toda a área absorvida vinha de empresas que sequer estavam na cidade. São novos entrantes ocupando grandes lajes de imediato. Didziakas lembra o caso da chinesa BYD, que aterrissou na capital com escritórios de alto padrão sem nunca ter tido operação semelhante no Brasil.
E cita movimentos recentes de gigantes como Shopee e Amazon, que ampliam sua presença em edifícios de referência — a última, inclusive, firmando uma pré-locação de grande porte na região de Pinheiros.
Leia Mais: FII investe R$ 207 mi em galpões alugados para Arezzo, Whirlpool e Suzano
No Rio de Janeiro, porém, o cenário segue bem diferente. “Infelizmente, ainda é uma realidade distante do que vemos em São Paulo”, diz Didziakas. A cada trimestre, ao ordenar as maiores movimentações corporativas da cidade, o resultado é quase sempre o mesmo: o setor público domina a absorção de áreas. Governo do estado e prefeitura aparecem recorrentemente como principais ocupantes, seja em renovações, seja em ampliações.
Já no setor privado, a dinâmica ainda é marcada pela rotatividade entre prédios — um cenário que o executivo compara ao antigo jogo de tabuleiro do “robamonte”. “Uma empresa aparece ocupando 3 mil m² em um edifício. Quando vamos ver de onde ela veio, estava ocupando exatamente 3 mil m² no prédio vizinho. É disputa entre proprietários, não crescimento real”, resume.
Apesar de alguns sinais pontuais, o Rio ainda convive com vacância elevada. Entre todos os empreendimentos corporativos, o índice segue acima de 20%. Só no segmento classe A, já chegou a 50% e hoje recuou para a casa de 30% — ainda longe de um patamar que permita recuperação consistente de preços. “Repassar aluguel só funciona em clusters muito restritos, como o Leblon, onde a demanda supera a oferta. No geral, ainda falta tração para um ciclo de expansão firme”, afirma Didziakas.
Leia Mais: Prova de fogo nos shoppings: 2026 vai testar fôlego dos FIIs, projetam gestores
The post SP cresce em lajes corporativas, enquanto RJ enfrenta dependência do setor público appeared first on InfoMoney.