Petróleo avança 4% com nova ofensiva do Irã e decisão de AIE
Os preços do petróleo encerraram o pregão desta quarta-feira (11) em forte alta, com o mercado acompanhando os desdobramentos do conflito no Irã e continuidade do paralisação do Estreito de Ormuz.
Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para maio fecharam com avanço de 4,78%, a US$ 91,98 barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI), para abril, registraram salto de 4,55%, a US$ 87,25 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.
Nova escalada nas tensões
O conflito no Irã entrou em seu 12º dia de combates com uma escalada nas tensões. Durante a madrugada, o comando militar iraniano atacou três navios no Golfo Pérsico. . Isso elevou o número de navios atingidos na região para, pelo menos, 14 desde o início do conflito em 28 de fevereiro.
O comando militar do país persa também afirmou que o mundo deve estar preparado para o petróleo atingir US$ 200 por barril.
“Prepare-se para que o petróleo chegue a US$ 200 o barril porque o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã, em comentários dirigidos aos Estados Unidos.
Até o momento, não houve nenhuma trégua em terra, nem qualquer sinal de que navios já podem navegar com segurança pelo Estreito de Ormuz – por onde 20% do petróleo do mundo é escoado em tempos de normalidade geopolítica – , na pior interrupção do fornecimento de energia desde os choques do petróleo da década de 1970.
Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que as forças militares atingiram 28 minas no Irã, horas depois de reafirmar que “praticamente não há mais nada” para atacar no Irã e que a guerra naquele país terminará “em breve”. “Pequenas coisas aqui e ali. Quando eu quiser que isso acabe, vai acabar”, declarou Trump em entrevista ao site Axios.
O presidente também disse que não está preocupado com ataques apoiados pelo Irã em solo norte-americano. A declaração foi feita a jornalistas na Casa Branca e após o FBI alertar para a possibilidade de drones iranianos atingirem a costa oeste dos EUA, segundo a ABC News.
Mais petróleo no mercado
Nesta quarta-feira, a Agência Internacional de Energia (AIE) liberou 400 milhões de barris de petróleo das reservas de 32 países-membros na tentativa de conter a alta nos preços de energia, em meio a disparada recente dos preços do barril do óleo bruto.
O volume proposto é mais do que o dobro dos 182 milhões de barris liberados em 2022 após a invasão da Rússia na Ucrânia. Mas, segundo analista, em última análise, essa medida é insuficiente para resolver as perdas de oferta de uma guerra prolongada no Oriente Médio.
A liberação proposta é aproximadamente igual a cerca de quatro dias de produção global e 16 dias do volume de petróleo bruto que transita pelo Golfo, estimaram os analistas da Macquarie.
Além disso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reafirmou suas projeções para o crescimento da demanda global de petróleo em 2026, estimando alta de 1,4 milhão de barris por dia (bpd).
Se confirmada, o consumo total alcançaria 106,53 milhões de bpd. Para 2027, a previsão é de acréscimo de 1,3 milhão de bpd, totalizando 107,87 milhões de bpd.
O cartel também manteve a expectativa de aumento da oferta de petróleo fora da Opep+ em 600 mil bpd em 2026, com contribuições significativas de Brasil, Canadá, Estados Unidos e Argentina. Para 2027, a projeção se mantém, elevando a produção total desses países para 55,44 milhões de bpd.
Segundo o relatório, a produção da Opep+ — grupo que inclui Rússia e outros produtores fora da Opep — cresceu 445 mil bpd em fevereiro, alcançando 42,72 milhões de bpd, segundo fontes secundárias.
*Com informações de Reuters