Ouro tem leve alta à espera de decisão do Fed sobre juros e conflito no Irã no radar

O ouro encerrou a sessão desta terça-feira (17) em leve alta, em recuperação, após cair mais de 1% na véspera. Os desdobramentos do conflito no Irã e os possíveis impactos inflacionários da escalada dos preços do petróleo nas maiores economias do mundo continuaram no radar.

O contrato mais líquido do ouro, para abril, terminou o pregão com alta de 0,12%, a US$ 5.008,20 por onça-troy, na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex).


Já a prata para março teve queda de 0,94%, a US$ 79,92 por onça-troy.

O que mexeu com ouro hoje?

O ouro manteve-se no nível de US$ 5 mil por onça-troy, acompanhando as movimentações geopolíticas.

Nesta terça-feira (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou que o conflito contra o Irã terminará em breve e projetou uma abertura do Estreito de Ormuz.

A declaração foi feita depois de o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, mencionar que a guerra possui um prazo de quatro a seis semanas.

Por outro lado, o novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, rejeitou propostas para reduzir as tensões ou para um cessar-fogo com os norte-americanos e reforçou que não é “o momento certo para a paz”.

Na avaliação do UBS WM, o desempenho recente do ouro reflete um comportamento histórico em cenários de tensões geopolíticas elevadas – quando os investidores buscam liquidez e consideram alternativas, como ativos ligados à energia.

“Por exemplo, o ouro subiu 15% após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, mas depois recuou entre 15% e 18% à medida que o Federal Reserve elevou os juros. O mesmo ocorreu durante a Guerra do Golfo e a Guerra do Iraque — quando os preços subiram 17% e 19%, respectivamente, no início dos conflitos, mas caíram conforme as tensões diminuíram”, afirmou o banco em relatório.

O UBS espera que os preços do ouro subam entre US$ 5,9 mil a US$ 6,2 mil por onça-troy até dezembro deste ano.

Já o MUFG destaca que a liberação de reservas emergenciais de petróleo, pela Agência Internacional de Energia (AIE) na semana passada, ajudou a conter a alta dos preços da commodity, mas enfatiza que o aumento dos riscos de inflação reduziu as expectativas de um corte na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) – o que é uma pressão para os metais preciosos.

A expectativa é de que o Fed mantenha os juros norte-americanos inalterados, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, nesta quarta-feira (18). O CME Group aponta 99,1% de chance de manutenção do Fed Funds amanhã e setembro continua como o mês mais provável para início do afrouxamento monetário.

Já na quinta-feira (19), o Banco Central Europeu (BCE) decide sobre os juros e a expectativa também é de manutenção a 2% ao ano.

*Com informações de Estadão Conteúdo