Juros futuros disparam 30 pontos-base com temor de choque inflacionário com prolongamento da guerra no Irã

A curva de juros futuros brasileira operam com altas firmes em todos os vencimentos, próximas a 30 pontos-base, após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O acirramento das tensões no Oriente Médio, com a escalada dos preços do petróleo Brent, também fazem preço na curva.

Por volta de 11h (horário de Brasília), a taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subia 14,215% ante 14,200% do ajuste anterior. Mais cedo, a taxa bateu máxima a 14,340%, uma alta de 14 pontos-base.

Já a taxa de DI para janeiro de 2030, de médio prazo, operava a 14,045% de 13,845% do fechamento anterior. Já DI para janeiro de 2036, de longo prazo, operava a 14,075% ante 13,880% do fechamento da véspera, após bater subir 32 pontos-base, a 14,200%, na máxima intradia.

O movimento também acompanha o exterior. Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também operam em alta. O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – subia a 3,809% de 3,743% do ajuste anterior, no mesmo horário. Já o retorno do título de dez anos  – referência global para decisões de investimento – a 4,261% ante 4,257% da véspera.

Decisões sobre juros e tensão no Irã

Ontem (18), O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano. Essa foi a primeira flexibilização do Banco Central desde julho, em linha com o esperado pelo mercado.

No comunicado, o BC disse estar dando início a um ciclo de “calibração” da política monetária, mas destacou o “forte aumento da incerteza” e o “distanciamento adicional” das projeções de inflação em relação à meta.

O colegiado também destacou que ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio. Segundo o Comitê, o cenário exige cautela por parte dos países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities. Nesta manhã (19), o contrato mais líquido do Brent, para maio, voltou a encostar em US$ 120 o barril. Na máxima intradia, o barril foi cotado a US$ 119,10.

Também ontem, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano como amplamente esperado pelo mercado.

Na coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a chance de elevar os juros na próxima reunião foi debatida, em meio aos temores quanto aos impactos econômicos da guerra no Irã. “O assunto surgiu hoje. A possibilidade de que nosso próximo passo possa ser um aumento foi, sim, levantanda na reunião, tal como ocorreu no encontro anterior”, disse.

Além disso, a analista da Empiricus Research, Laís Costa, destaca a decisão mais ‘dura’ do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) nesta manhã. O BoE manteve os juros em 3,75% ao ano, mas ressaltou que o conflito no Oriente Médio deve causar aumento na inflação no curto prazo,

“A decisão do BoE, com alerta para as pressões inflacionárias, estressou as curvas [de juros futuros] globais. Por lá, o mercado migrou a aposta de uma para três altas de 0,25 pontos-base ao longo deste ano”, afirmou a analista.

Em reação, os investidores também tem ajustado posições tendo como norte a possibilidade de o BC manter a Selic em 14,75% em abril, caso a incerteza gerada pela guerra permaneça.

Nos Estados Unidos, a expectativa de pelo menos um corte nos juros pelo Fed também foi retirada da mesa dos operadores. O mercado, por ora, não vê, como aposta majoritária, algum corte nos juros norte-americanos até o final de 2027, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.

*Com informações de Reuters