JPMorgan reduz valor de carteiras de crédito privado ligadas a software, dizem fontes

O JPMorgan Chase reduziu o valor de alguns empréstimos concedidos a fundos de crédito privado após avaliar o impacto da turbulência no mercado envolvendo empresas de software, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto.

A decisão ocorre em um momento de crescente preocupação entre investidores no setor de US$ 2 trilhões, diante da deterioração da qualidade de crédito e da ameaça que a inteligência artificial representa para os modelos de negócios de empresas de software.

O Financial Times, que publicou a informação nesta quarta-feira (11), afirmou que as reduções se aplicam a empréstimos ligados a companhias do setor de software.

Esses são créditos concedidos pelo JPMorgan a fundos privados, que por sua vez utilizam os recursos — e a alavancagem — para comprar empréstimos no mercado intermediário (middle market), disse uma das fontes.

Segundo a fonte, os contratos do banco nesse segmento permitem a remarcação das avaliações com base nas garantias dos fundos caso haja deslocamentos no mercado. Ela acrescentou, no entanto, que os ajustes não são significativos.

O banco analisou seu portfólio de financiamento nome por nome e, posteriormente, setor por setor, aplicando marcas diferentes a determinados empréstimos, como os que têm exposição ao setor de software, disse a fonte.

O crédito privado tem sido pressionado por preocupações com a deterioração da qualidade do crédito e pela exposição ao setor de software — considerado particularmente vulnerável às disrupções trazidas pelos avanços da inteligência artificial.

A remarcação de empréstimos não ocorre com frequência, mas esta não é a primeira vez que o banco adota essa medida, disse uma das fontes à Reuters. Segundo ela, a prática é “importante quando as condições de mercado justificam, em vez de esperar que uma crise se materialize”.

Retiradas de investidores

O crédito privado refere-se a empréstimos emitidos por empresas não bancárias, geralmente para mutuários mais arriscados ou para companhias que buscam financiar grandes aquisições.

Embora esses empréstimos possam ser estruturados rapidamente e atendam empresas consideradas arriscadas demais para os bancos tradicionais, as preocupações crescentes com a qualidade do crédito e a exposição a companhias de software vulneráveis à inteligência artificial têm lançado dúvidas sobre esse mercado em rápida expansão.

Neste ano, o setor tem registrado uma onda de retiradas de investidores, diante do temor de possíveis inadimplências por parte de empresas de software.

Na semana passada, a BlackRock informou que limitou os saques em um de seus fundos após um aumento nos pedidos de resgate. Já a Blackstone afirmou que seu fundo de crédito privado, conhecido como BCRED, enfrentou um aumento nas solicitações de retirada no primeiro trimestre.

O segmento de crédito privado também foi afetado por questões relacionadas a avaliação e transparência. Entre as preocupações citadas estão a Blue Owl, que substituiu resgates de clientes por pagamentos prometidos, e a exposição de alguns participantes, no ano passado, às falências de um fornecedor de autopeças nos Estados Unidos e de um credor de financiamento automotivo subprime.

O presidente-executivo do JPMorgan, Jamie Dimon, afirmou a investidores em uma conferência de finanças alavancadas realizada pelo banco na semana passada que a instituição tem adotado uma postura mais prudente ao conceder empréstimos lastreados em ativos de software, segundo o Financial Times, que citou duas fontes.