Itaú (ITUB4) salta quase 3% com balanço ‘sem surpresas’; hora de comprar a ação?

O Itaú (ITUB4) entregou mais um balanço “sólido” e sem surpresas. Como o esperado, o banco reportou um lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 13,2% ante o mesmo período de 2024.  

A cifra ficou dentro da expectativa da Bloomberg, que aguardava lucro de R$ 12,1 bilhões. 

O Itaú também não registrou uma grande deterioração nas principais linhas do balanço – diferentemente dos seus pares Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) – como a inadimplência e ROE (retorno sobre o patrimônio líquido). 

O banco reportou um ROE de 24,4%, estável na comparação trimestre a trimestre. A última vez que o Itaú apresentou retorno acima desse percentual foi no segundo trimestre de 2015, de 24,8%. 

Em reação, as ações do Itaú operam em alta no Ibovespa (IBOV). Por volta de 12h30 (horário de Brasília), ITUB4 subiam 1,95%, a R$ 45,49. Na máxima intradia, os papéis chegaram a registrar avanço de 2,82% (R$ 45,88).  


Itaú também figura entre as ações mais negociadas da B3. No mesmo horário, ITUB4 era a segunda mais negociada, com 20,1 mil negócios e giro financeiro de R$ 707,9 milhões.  

Destaques do balanço 

Na avaliação do BTG Pactual, o destaque do trimestre foi a qualidade dos ativos, com todas as métricas melhorando ou estáveis, “permitindo ao banco iniciar novamente o ano com um balanço saudável”.  

“No geral, o Itaú mais uma vez entregou resultados acima de expectativas já elevadas. Permanecemos construtivos com a tese e seguimos vendo o Itaú bem posicionado para superar o mercado no médio prazo”, escreveram os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel, Bruno Henriques e Tiago Paura, em relatório.  

A equipe do BTG também afirmou que “2025 foi outro ano excepcional para o banco”. No acumulado do ano, o Itaú registrou um lucro líquido de R$ 46,8 bilhões, alta de 13% na comparação ano a ano. O ROE ficou em 23,4%.  

Já o UBS BB chamou a atenção para as tendências operacionais, com destaque para a carteira de crédito – que registrou crescimento de 6,3% na base trimestral e de 4,5% excluindo o efeito cambial.  

 “A carteira de crédito cresceu de forma relevante na comparação sequencial, apesar de alguma compressão nas margens com clientes, receitas de tarifas sólidas, boa qualidade dos ativos e certa redução no índice de eficiência (cost to income)”, afirmaram os analistas Thiago Batista, Olavo Arthuzo e Beatriz Shinye.  

Eles ainda destacaram que a margem financeira (NII) cresceu “moderadamente” 1,5% no trimestre a trimestre, “sustentada por maiores volumes, mas limitada por uma mudança para um mix de produtos mais conservador”.  

O JP Morgan considerou que, embora os números tenham vindo em linha com as expectativas, o banco tem uma visão positiva sobre a execução da estratégia, especialmente no segmento de Pequenas e Médias Empresas (PMEs).  

“O Itaú apresentou tendências de inadimplência muito melhores do que o Santander – acreditamos que devido a diferenças de mix e participação em programas governamentais –, com o índice de NPL subindo apenas 10 pontos-base, para 1,8%, contra 80 pontos-base do Santander, enquanto os atrasos de 15–90 dias permaneceram estáveis”, destacaram os analistas  

Para a equipe do JP Morgan, os números do Itaú mostraram, em resumo, que a inadimplência está sob controles, a estratégia para PMEs “parece no caminho certo” e os ganhos de eficiência “seguem aparecendo”.  

  • Descubra quais bancões comprar para aproveitar os resultados do 4T25 — e qual é ideal para quem busca dividendos! Confira no Money Picks.

O que esperar de Itaú em 2026 

Com o balanço, o Itaú também divulgou as projeções (guidance) para 2026. A expectativa é de que a carteira de crédito cresce até 9,5%. 

A NII com clientes também deve registrar expansão, com alta estimada entre 5,0% e 9,0% no período. 

O banco espera um lucro líquido de R$ 51 bilhões neste ano.  

Confira as principais projeções do Itaú:  

IndicadorGuidance 2026
Carteira de crédito totalCrescimento entre 5,5% e 9,5%
Carteira de crédito – BrasilCrescimento entre 6,5% e 10,5%
Margem financeira com clientesCrescimento entre 5,0% e 9,0%
Margem financeira com o mercadoEntre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões
Custo do créditoEntre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões
Receita de prestação de serviços e resultado de segurosCrescimento entre 5,0% e 9,0%
Despesas não decorrentes de jurosCrescimento entre 1,5% e 5,5%
Alíquota efetiva de IR/CSEntre 29,5% e 32,5%

O JP Morgan chamou a atenção para a projeção do Itaú de lucro de R$ 51,1 bilhões em 2026, em média. O número ficou em linha com o consenso da Bloomberg, mas 2% abaixo das estimativas do banco.  

Já o Safra avaliou o guidance como “neutro”, chamando a atenção para a linha de opex – com um aumento de 1,5% a 5,5% de acordo com as projeções do Itaú. 

 “Embora as projeções de opex tenham nos surpreendido positivamente, ao indicar ganhos de eficiência bastante disciplinados, o crescimento mais fraco da receita, em média de 7% ao ano, limita uma reclassificação (re-rating) mais relevante, em nossa visão”, afirmaram os analistas. 

O BTG Pactual considera que “o menor crescimento de opex já reflete a agenda de eficiência que o banco pretende perseguir nos próximos anos”.  

A equipe do banco também destaca que os dividendos adicionais pagos no ano passado devem resultar em cerca de R$ 2 bilhões a menos de rendimento (yield) nos resultados de 2026.  

Eles ainda avaliam que a melhora na margem financeira de mercado está principalmente associada aos efeitos positivos de juros mais baixos na estratégia de hedge do índice de capital.  

“Embora o guidance de 2026 possa parecer mais conservador do ponto de vista de crescimento de resultados, vemos o período como um ano de transição, e não de desaceleração, especialmente diante da incerteza ligada às próximas eleições, que tende a reduzir o apetite a risco”, acrescentaram.  

Hora de comprar ITUB4?  

Os analistas reforçaram a visão construtiva para as ações do Itaú, reiterando a recomendação de compra para ITUB4 

“A performance equilibrada do trimestre, com expansão consistente da carteira, controle de despesas e inadimplência sob controle, sustenta nossa visão construtiva para as ações”, afirmaram os analistas Marcelo Mizhari e Renato Chaves, da Ágora Investimentos/Bradesco BBI.  

A dupla de analistas da XP, Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães, veem um potencial de valorização de 14% das ações ITUB4 até o fim deste ano, sendo o papel preferido (top pick) da corretora no setor bancário.  

Banco/CorretoraRecomendaçãoPreço-alvoPotencial de valorização
Ágora Investimentos/Bradesco BBICompraR$ 45,000,85%
BTG PactualCompraR$ 50,0012,06%
JP MorganCompra
SafraCompraR$ 49,009,82%
UBS BBNeutroR$ 43,00-3,63%
XPCompraR$ 51,0014,30%