Ibovespa recua mais de 3% com tensão no Oriente Médio e expectativa de corte menor na Selic; dólar sobe a R$ 5,26

Depois de “segurar as pontas” na véspera, o Ibovespa (IBOV) cedeu à pressão externa e encerrou o dia em forte queda.

Nesta terça-feira (3), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com recuo de 3,28%, aos 183.104,87 pontos. Nas primeiras horas do pregão, o Ibovespa chegou a cair mais de 4%, na casa dos 180 mil pontos. 

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,2652, com alta de 1,92%. 

No cenário doméstico, os investidores repecutiram, ainda que em segundo plano, novos dados econômicos.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025 (4T25). O crescimento econômico acumulado em 2025 foi de 2,3%, em linha com o esperado.

Na avaliação de Rodolfo Margato, economista da XP, o crescimento do PIB veio de setores menos sensíveis ao ciclo econômico: agropecuária – que registrou expansão acima do esperado contra a expectativa de queda – e a indústria extrativa, que também seguiu em crescimento ascendente, na leitura dele.

Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou a criação de 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro, acima do esperado pelos economistas. Segundo a Reuters, a expectativa era de criação de 92 mil postos de trabalho com carteira assinada no mês.

“O emprego formal segue em trajetória de alta, embora com perda de fôlego. O ritmo médio de criação de vagas desacelerou de cerca de 135 mil, no primeiro semestre, para 80 mil, no segundo semestre de 2025, refletindo o arrefecimento da atividade doméstica”, avaliou Margato.

Contudo, as atenções continuaram concentradas no exterior. Com a escalada das tensões e disparada do petróleo, o mercado brasileiro passou a precificar um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Desde janeiro, a aposta majoritária era de redução de 0,50 ponto percentual na reunião deste mês, com a sinalização de início de afrouxamento monetário pelo BC.

Hoje, o presidente norte-americano Donald Trump disse que ordenou às forças dos Estados Unidos que se juntassem ao ataque de Israel contra o Irã porque acreditava que o país persa estava prestes a atacar os EUA.

Trump também disse que o país que vai fornecer seguros e garantias para a segurança financeira de todo o comércio marítimo, incluindo petroleiros, que viajam pela região do Golfo, por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos.

Altas e quedas do Ibovespa

Apenas três ações das 85 que compõem a carteira teórica do Ibovespa (IBOV) encerraram o dia em alta: Raízen (RAIZ4), Braskem (BRKM5) e Vivara (VIVA3).

A ponta negativa foi liderada por GPA (PCAR3), com queda de 16,5%.

Os papéis foram pressionados pelo rebaixamento da nota de crédito da companhia de ‘A’ para ‘CCC’ pela Fitch. Segundo a agência de classificação de risco, a mudança considera os crescentes riscos de refinanciamento, tendo em vista que a companhia tem R$ 1,7 bilhão em dívidas a serem pagas até julho.

O enfraquecimento da liquidez e a perspectiva de que o fluxo de caixa livre (FCF) permanecerá negativo a médio prazo também fundamentaram o rebaixamento, de acordo com a Fitch.

O GPA também entrou com um pedido para bloquear as ações que pertencem ao acionista Casino Guichard-Perrachon e eventuais valores obtidos com a venda desses papéis. A medida visa proteger seus direitos e garantias enquanto a disputa está em andamento.

Exterior 

Os índices de Wall Street tiveram mais um dia de perdas com temor de novos impactos inflacionários, resultantes do conflito no Irã e disparada do petróleo.

O presidente da unidade do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) de Minneapolis, Neel Kashkari, declarou que é prematuro determinar como a guerra com o Irã afetará a inflação doméstica, mas ressaltou que o desenrolar do conflito pode influenciar a política monetária do país.

Já John Williams, do Fed de Nova York, alertou que o conflito no Oriente Médio pode elevar a inflação no curto prazo.

O presidente Donald Trump anunciou o fim das relações comerciais com a Espanha. “A Espanha tem sido terrível”, disse Trump a repórteres durante uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz, acrescentando que havia instruído o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a “cortar todas as relações comerciais” com o país espanhol.

“Vamos cortar todas as relações comerciais com a Espanha. Não queremos ter nada a ver com a Espanha”, acrescentou.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,83%, aos 48.501,27 pontos;
  • S&P 500: -0,94%, aos 6.816,63 pontos; 
  • Nasdaq: -1,02%, aos 22.516,69 pontos.

Na Europa, os principais índices encerraram em forte queda pela segunda sessão consecutiva. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com queda de 3,18%, aos 603,80 pontos.

Na Ásia, os índices também fecharam em tom negativo com a escalada das incertezas. O índice Nikkei, do Japão, caiu 3,06%, aos 56.279,05 pontos; enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,12%, aos 25.768,08 pontos.