Ibovespa ignora pressão externa e renova recorde pela 7ª vez à espera de Copom; dólar avança e fecha a R$ 5,39

Depois de uma sessão volátil, o Ibovespa (IBOV) engatou a décima alta consecutiva e o sétimo recorde seguido, ignorando, em parte, a escalada da aversão a risco global e expectativa de manutenção de juros no Brasil.

Nesta terça-feira (4), o principal índice da bolsa brasileira terminou o pregão em alta de 0,17%, aos 150.704,20 pontos, no maior nível nominal histórico. O recorde anterior era da sessão anterior, quando encerrou o dia aos 150.454,24 pontos. 

O Ibovespa também renovou o recorde intradia ao atingir os 150.877,55 pontos no final da manhã. A máxima anterior foi registrada na véspera, aos 150.761,29 pontos. 

Já o dólar à vista (USBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3989, com alta de 0,77%

No cenário doméstico, os investidores continuaram a operar em modo de espera pela decisão sobre a taxa de juros. Amanhã (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a Selic em 15% ao ano.

Pela manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que “por mais pressão que haja sobre o Banco Central para não baixar juros”, a taxa terá de cair.

O chefe da pasta econômica ainda afirmou que, se fosse o presidente do BC, um corte na Selic já aconteceria amanhã. Para justificar a falar, ele citou uma melhora nas expectativas dos mercado e nos dados correntes de inflação.

As questões fiscais também voltaram ao centro das atenções do mercado.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado adiou as votações do projeto de de lei que eleva a tributação de apostas online (bets) e fintechs e da proposta que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e concede desconto parcial aos que recebem até R$ 7.350 mensais.

As matérias devem ser votadas na CAE nesta quarta-feira (5).

Altas e quedas do Ibovespa

Entre as companhias listadas no Ibovespa (IBOV), as ações da Klabin (KLBN11) figuraram entre as maiores altas do índice.

Além do avanço do dólar, a companhia foi beneficiada pela reação positiva ao balanço do terceiro trimestre (3T25) e a aprovação da distribuição de R$ 318 milhões em dividendos aos acionistas pelo conselho de administração.

Na avaliação do Santander, a companhia apresentou resultados em linha com as estimativas do banco, com destaque para o Ebitda ajustado.

Entre os pesos-pesados, o tom foi misto. Os bancos terminaram a sessão em alta, com exceção de Itaú Unibanco (ITUB4) na expectativa do resultado do 3T25.

Vale (VALE3)Petrobras (PETR4;PETR3) caíram na esteira do desempenho das commodities.

Já a ponta negativa foi liderada por  Embraer (EMBJ3), também em reação aos números do 3T25.

Em relatório, o BTG Pactual destacou que os números do trimestre vieram em linha com as projeções do banco, tanto em receita quanto em desempenho operacional.

Segundo a casa, apesar do impacto das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos (EUA), a fabricante manteve boa rentabilidade ajustada.

Cosan (CSAN3) também figurou entre as maiores quedas. A companhia definiu o preço de sua primeira oferta pública de ações em R$ 5 por ação, o que deve gerar R$ 9,06 bilhões com a emissão de 1,81 bilhão de papéis.

Exterior 

Os índices de Wall Street encerraram a sessão em forte queda. O prolongamento da paralisação da máquina pública, novos alertas sobre o mercado de ações e realização do setor de tecnologia ‘abalaram’ os índices norte-americanos.

Nesta terça-feira (4), os Estados Unidos completou o 35º dia de shutdown e deve se tornar a paralisação mais longa da história.

Já os presidentes de grandes bancos de Wall Street, Morgan Stanley e Goldman Sachs, alertaram que os mercados de ações podem estar caminhando para uma queda, ressaltando as crescentes preocupações com as avaliações altíssimas. As avaliações injetaram mais aversão a risco nos mercados.

Em destaque, as ações da Palantir caíram mais de 9% mesmo após a empresa de software superar as estimativas de Wall Street para o terceiro trimestre e ter apresentado uma forte projeção, impulsionada pelo crescimento em seu negócio de inteligência artificial.

Confira o fechamento dos índices de Wall Street:

  • Dow Jones: -0,53%, aos 47.085,49 pontos;
  • S&P 500: -1,17%, aos 6.771,68 pontos; 
  • Nasdaq: -2,04%, aos 23.348,63 pontos.

Na Europa, os mercados fecharam majoritariamente em queda com preocupações sobre o cenário fiscal britânico. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou com queda de 0,30%, aos 570,58 pontos, na mínima de duas semanas. 

Na Ásia, os índices também tiveram um dia negativo. O índice Nikkei, do Japão, recuou 1,74%, aos 51.497,20 pontos. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve baixa de 0,79%, aos 25.952,40 pontos.