Ibovespa fecha quinta-feira com alta de mais de 1% com ajuda de petroleiras e fluxo

Após começar o pregão sem muito fôlego, o Ibovespa (IBOV) engatou alta e fechou com ganho de 1,35%, aos 188.535 pontos, no pregão desta quinta-feira (19). Na máxima do dia, o índice avançou 1,44%.

O principal suporte veio das ações de peso. A tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã voltou a impulsionar o petróleo, com o barril do Brent subindo 2,17%, a US$ 71,88. As preferenciais da Petrobras (PETR4), que têm participação relevante no índice, avançaram 1,67%, a R$ 37,81 — movimento que também apareceu em outras petroleiras.

O presidente Donald Trump afirmou que os EUA precisam chegar a um acordo significativo com o Irã, citando boas conversas entre os países. Washington quer que Teerã abandone seu programa nuclear, algo que o governo iraniano nega veementemente.

Além das petroleiras, os bancos também sustentaram o índice. As preferenciais do Bradesco (BBDC4) subiram 2%, enquanto as units do Santander (SANB11) avançaram 1,28%. Instituições financeiras e empresas de utilidades seguem entre as principais beneficiadas pelo fluxo estrangeiro.

“Minha leitura é de que foi mais um dia de ingresso de estrangeiro”, afirmou Naio Ino, gestor de renda variável da Western Asset, destacando o interesse desses investidores principalmente em large caps e papéis com maior liquidez.

Segundo ele, enquanto o fluxo continuar, é difícil enxergar uma realização mais relevante no curto prazo.

O movimento ajudou a bolsa brasileira a se descolar de Wall Street. Nos Estados Unidos, o S&P 500 recuou 0,28%.

Estratégias globais de rotação de ativos, somadas à perspectiva de cortes graduais da Selic ao longo do ano, têm mantido o Brasil no radar de investidores internacionais.

De acordo com estrategistas da XP, após reuniões com investidores nos EUA na semana passada, o sentimento em relação às ações brasileiras permanece positivo, embora haja certo desconforto com os níveis de valuation após a alta recente.

Eles destacaram que os fortes fluxos para o Brasil em 2026 têm sido puxados principalmente por fundos macro e passivos (ETFs), e não por gestores ativos.

“Como resultado, vários investidores mencionaram o descasamento entre os grandes nomes do índice — como Vale (VALE3), Petrobras e Itaú (ITUB4), que se beneficiaram fortemente dos fluxos — enquanto o restante do mercado ficou para trás”, apontaram.

No campo doméstico, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou desaceleração gradual da atividade, sem alterar de forma relevante as expectativas para juros ou lucros corporativos.

A prévia do PIB caiu 0,2% em dezembro ante novembro — resultado melhor que a mediana das projeções da Reuters, que apontava recuo de 0,5% — e encerrou 2025 com crescimento de 2,5%.

Para Rodolfo Margato, economista da XP, a leitura do quarto trimestre foi levemente positiva, apesar do recuo mensal. O indicador avançou 0,4% no período, enquanto a XP estima alta de 0,1% para o PIB no trimestre, fechando o ano com crescimento de 2,3%. A abertura setorial mostrou sinais predominantemente positivos, com destaque para agropecuária e serviços.

* Com Reuters