Ibovespa abre em leve alta de olho no Copom e conflito no Oriente Médio; 5 coisas para saber antes de investir hoje (17)

O Ibovespa (IBOV) abre em leve alta, de olho no primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e nos novos desdobramentos do conflito no Irã. O mercado doméstico também acompanha os balanços corporativos.

Por volta de 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava com alta de 0,28%, aos 180.385,04 pontos. 


O dólar à vista opera em queda ante o real, em linha com o desempenho da moeda no exterior. No mesmo horário, a moeda norte-americana caía a R$ 5,2075 (-0,43%).

5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta terça-feira (17)

1 – Copom

O Banco Central (BC) inicia hoje o primeiro dia de reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir sobre a trajetória dos juros no Brasil. Nos últimos comunicados, o colegiado havia sinalizado que iniciaria uma flexibilização monetária.

No entanto, com o conflito no Oriente Médio em sua terceira semana de duração, o mercado elevou os temores de uma pressão dos preços de combustíveis e energia na inflação, o que limitaria o espaço para um corte maior pelo Copom.

Ontem (16), os economistas ouvidos pelo BC ajustaram as projeções para 2026, segundo o Boletim Focus, e subiram de 12,13% para 12,25% a mediana para a Selic no fim deste ano.

2 – IGP-10

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) registrou queda menos intensa, de 0,24% em março, após recuar 0,42% no mês anterior, de acordo com os dados divulgados nesta pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta manhã.

Com isso, o IGP-10 passa a acumular em 12 meses retração de 2,53%. A queda mensal foi um pouco menor do que a expectativa em pesquisa da Reuters para a leitura mensal, que indicava recuo de 0,27%.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, teve recuo de 0,39% em março, depois de cair 0,80% no mês anterior.

3 – Impasse na coalizão de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que alguns países estão “pouco entusiasmados” com um plano para ajudar a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz, rota vital no transporte de petróleo bruto.

“Alguns países estão muito entusiasmados, outros nem tanto, e presumo que alguns não farão isso. Acho que temos um ou dois que não farão isso, e que estamos protegendo há cerca de 40 anos, com dezenas de bilhões de dólares”, afirmou Trump.

Nesta terça-feira, o assessor econômico da Casa Branca Kevin Hasset afirmou em entrevista à CNBC que navios petroleiros estão “começando a passar” pelo Estreito de Ormuz, reiterando a posição do governo Trump de que a guerra com o Irã deve durar semanas, não meses.

O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, rejeitou propostas para reduzir as tensões ou para um cessar-fogo com os Estados Unidos que foram transmitidas a Teerã por dois países intermediários, disse uma autoridade iraniana graduada hoje.

A posição de Khamenei em relação à vingança contra os EUA e Israel foi “muito dura e séria” em sua primeira sessão de política externa, disse a autoridade, sem esclarecer se o líder participou da sessão pessoalmente.

4 – Petróleo mais caro

Após as falas de Trump insinuando desinteresse de certos países em ajudar a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz e novos ataques no Oriente Médio, os contratos futuros do petróleo Brent para maio voltaram a superar os US$ 104.

Os preços da commodity seguem voláteis com os desdobramentos da guerra, que está em sua terceira semana e não mostra sinais claros de caminhar para um cessar-fogo. Por volta das 10h (horário de Brasília), o Brent para maio subia 2%, a US$ 102,20.

Mesmo com a queda da comercialização devido à guerra no Irã, os índices de referência do petróleo bruto do Oriente Médio atingiram recordes históricos, tornando-se os mais caros do mundo.

O aumento nos índices de referência, usados para precificar milhões de barris de petróleo bruto do Oriente Médio destinados à Ásia, está aumentando custos para as refinarias asiáticas, forçando-as a buscar alternativas ou a reduzir ainda mais a produção nos próximos meses.

5 – Acordo comercial entre UE e EUA

Os parlamentares da União Europeia devem votar esta semana a legislação para aprovar partes do acordo comercial entre a UE e os Estados Unidos, depois de suspenderem duas vezes seus trabalhos por não acreditarem que os EUA estivessem cumprindo sua parte do acordo.

O Parlamento Europeu vem debatendo propostas para remover as taxas de importação da UE sobre produtos industriais dos EUA e melhorar o acesso aos produtos agrícolas norte-americanos, uma parte fundamental do acordo fechado na Escócia em julho passado, bem como para continuar com taxas zero para lagostas dos EUA, inicialmente acordadas com Trump em 2020.

As propostas precisam ser aprovadas pelo Parlamento e pelos governos da UE.

Um pequeno grupo de parlamentares decidirá nesta terça-feira se deve proceder a uma votação, e as autoridades da UE disseram que provavelmente apoiarão o avanço da legislação.

Isso abriria caminho para que o comitê de comércio do Parlamento vote na quinta-feira (19), uma etapa necessária para a aprovação do acordo.

Muitos parlamentares afirmaram que o acordo comercial é desequilibrado, pois a UE deve reduzir a maioria das taxas de importação, enquanto os EUA mantêm uma taxa ampla de 15%.

No entanto, eles já pareciam dispostos a aceitá-lo, embora com condições, como uma cláusula de caducidade de 18 meses e medidas para responder a possíveis aumentos nas importações dos EUA.

*Com informações de Reuters