ETFs: 2 opções para se expor à expansão da energia nuclear, segundo o BTG Pactual
Após décadas de estagnação, a energia nuclear entrou em uma nova fase de expansão global. O setor volta ao radar em um contexto onde a transição para a economia de zero carbono (Net Zero) evidencia os limites das fontes renováveis intermitentes, ou seja, que dependem de condições variáveis.
Neste cenário, a equipe de analistas do BTG Pactual observa que ETFs (fundos negociados em bolsa, em tradução para o português) de energia nuclear geraram um alpha (retorno excedente) relevante em relação ao mercado.
Utilizando uma base 100 iniciada em janeiro de 2024, os ETFs de energia nuclear mostram geração de alpha em comparação ao S&P 500. O Investo MVIS Global Uranium & Nuclear Energy ETF avançou para 214 pontos e o Global X Uranium ETF, para 213, enquanto o S&P 500 atingiu 145, de acordo com o banco.
“Essa performance totaliza um alpha de 69% e 68%, respectivamente, destacando a performance positiva do setor”, diz o BTG, que lista os dois ETFs em destaque:
- Investo MVIS Global Uranium & Nuclear Energy ETF | Código EUA: NLR | BDR: NUCL11
- Global X Uranium ETF | Código EUA: URA | BDR: URA11
Para os analistas, em um cenário com metas climáticas mais rígidas, preocupação com segurança energética e avanço da demanda elétrica por data centers e Inteligência Artificial (IA), a energia nuclear volta ao centro como uma infraestrutura crítica, que consegue fornecer energia limpa, firme e com previsibilidade de escala.
O BTG destaca que a matriz elétrica global segue majoritariamente fóssil, com cerca de 60% da geração, enquanto a energia nuclear responde por aproximadamente 9%, ao lado da solar e da eólica, com participações ainda menores.
Por outro lado, os Estados Unidos apresentam uma matriz mais diversificada, com a energia nuclear representando cerca de 17% da geração total, refletindo seu papel fundamental no sistema elétrico do país.
“Em nossa visão, após quase três décadas de estagnação, a energia nuclear retorna ao centro das políticas públicas globais, apoiada pelo compromisso da COP de triplicar a capacidade nuclear até 2050”, diz o banco.
Os catalisadores do setor de energia nuclear
Apesar de reconhecer que o momento de retomada do foco na energia nuclear ainda é inicial, o BTG vê o movimento sustentado por catalisadores que reposicionam a fonte de energia como estratégia para a segurança energética, descarbonização e crescimento da demanda energética de longo prazo.
Entre os catalisadores, o BTG cita que a energia nuclear é considerada necessária para um cenário Net Zero de carbono até 2050. Além disso, o banco destaca mais de 70 designs avançados de SMRs (pequenos reatores modulares) em desenvolvimento globalmente, com os primeiros projetos comerciais previstos para o fim da década.
A análise do banco observa ainda os pacotes governamentais recentes, como o Inflation Reduction Act, de 2022 nos Estados Unidos, e programas da União Europeia pós-2022, passaram a incluir incentivos fiscais diretos à energia nuclear.
Em um contexto de reavaliação ESG (Environmental, Social and Governance), fundos e agências passaram a classificar a energia nuclear como energia limpa, enquanto a Taxonomia da UE e regras similares reduzem barreiras ao investimento dos investidores institucionais.
O BTG chama atenção ainda para a expansão fora do Ocidente, com a China concentrando cerca de metade dos reatores em construção. Por fim, o banco observa empresas de tecnologia e conglomerados industriais firmam PPAs e parcerias, garantindo demanda, financiamento e divisão de riscos em projetos nucleares.