Dólar sobe quase 1%, a R$ 5,24, após Fed manter juros inalterados nos EUA e à espera de Copom
O dólar à vista encerrou a ‘Super Quarta’ em forte alta após o Banco Central dos Estados Unidos manter os juros inalterados pela 2ª vez consecutiva e destacar as incertezas quanto aos impactos inflacionários da guerra no Irã. O mercado ainda ficou à espera da decisão de política monetária no Brasil.
Nesta quarta-feira (18), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,2468, com alta de 0,90%.
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O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com avanço de 0,58%, aos 100,155 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
As decisões de política monetária ditaram as movimentações do mercado de câmbio.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, pela segunda vez consecutiva, como amplamente esperado pelo mercado.
A decisão não foi unânime: Stephen Miran votou em um corte de 0,25 ponto percentual.
O Fomc também manteve a previsão de apenas um corte nos juros em 2026. O sumário de projeção econômica (SEP) e o gráfico de pontos – conhecido como ‘dot plot‘ –, mostraram que a mediana para o Fed Funds segue em 3,4% neste ano, o que sugere a taxa de juros no intervalo de 3,25% a 3,50% em dezembro.
No comunicado, o Comitê ressaltou que as “implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas”.
“A previsão é de que faremos progressos em relação à inflação, não tantos quanto esperávamos, mas algum progresso”, disse o presidente do Fed, Jerome Powell, durante a coletiva de imprensa.
Após a decisão, o mercado adiou a expectativa de início do afrouxamento monetário nos EUA de setembro para outubro. Mas após as declarações de Powell, a aposta majoritária de corte foi novamente adiada para dezembro. Perto do fechamento, os traders observavam 54% de chance de uma redução nos juros na última decisão do Fomc de 2026.
Os dados econômicos, como a inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) norte-americana, e o conflito no Irã ficaram em segundo plano.
No Brasil, a possível greve dos caminhoneiros continou no centro das atenções.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva endureceu a fiscalização do cumprimento do frete mínimo nesta quarta-feira (18), além de uma investida junto a Estados na tentativa de reduzir o ICMS sobre combustíveis.
Os investidores ainda ficaram à espera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O mercado prevê um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 15% para 14,75% ao ano. O comunicado deve ser divulgado após o fechamento do mercado.
*Com informações de Reuters