CSN (CSNA3): A dúvida sobre plano para levantar até R$ 18 bi, segundo o BB Investimentos

A CSN (CSNA3) tem mais dívidas a pagar nos próximos dois anos do que recursos em caixa — e essa situação pode piorar. Apesar do plano de venda de ativos para levantar até R$ 18 bilhões, o BB Investimentos está cético quanto à capacidade de execução ainda em 2026.

“Apesar dos esforços da companhia para capturar ganhos de eficiência operacional e mitigar os desafios do segmento de siderurgia, os indicadores de endividamento e alavancagem seguem em deterioração e continuam exigindo acompanhamento próximo”, afirmou o banco.

Segundo o relatório, uma redução mais relevante do endividamento depende de iniciativas mais complexas, como a venda de ativos, processo que está sujeito a fatores externos e fora do controle direto da companhia.

Uma gigante endividada

A CSN, uma das maiores produtoras integradas de aço do Brasil e segunda maior no mercado de cimentos, voltou a registrar prejuízo no último trimestre e segue com queima de caixa. O fluxo de caixa livre foi negativo em R$ 282 milhões, pressionado por investimentos elevados e despesas financeiras.

A empresa encerrou o período com R$ 16 bilhões em caixa, queda de R$ 2,8 bilhões em relação ao trimestre anterior. Ao mesmo tempo, tem R$ 10,52 bilhões em dívidas a vencer em 2026 e R$ 7,81 bilhões em 2027. Para 2028, os vencimentos somam R$ 11,4 bilhões. A dívida bruta total é de R$ 57,2 bilhões, alta de R$ 867 milhões na comparação trimestral.

Com a necessidade de manter o capex, a geração de caixa segue insuficiente para cobrir os custos financeiros. A relação entre Ebitda ajustado (ex-capex) e dívida líquida é de 0,7 vez em 2025, ante 3 vezes em 2022, indicando menor capacidade de pagamento via operação.

A alavancagem financeira subiu de 3,14x para 3,47x na relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, ficando acima do guidance de 3,0x estimado pela companhia para o fim de 2025 e interrompendo a trajetória de desalavancagem.