Crescimento do mercado de FIIs está menos dependente do ciclo de juros, diz B3

O mercado de fundos imobiliários entrou na semana do Copom (Comitê de Política Monetária) em um patamar mais robusto de liquidez e participação. Dados recentes da B3 mostram que o segmento ultrapassou 3 milhões de investidores, com patrimônio próximo de R$ 200 bilhões e volume médio diário perto de R$ 500 milhões, uma alta de quase 50% em relação a 2025
Nesse contexto, o início de um ciclo de queda da Selic pode aumentar ainda mais o volume negociado, com a melhora da atratividade relativa dos FIIs frente à renda fixa. “De forma geral, o início de um ciclo de queda de juros tende, sim, a ser positivo para produtos de renda variável, que incluem os fundos imobiliários, porque melhora a atratividade junto aos investidores”, afirma Bianca Maria, gerente de Produtos de Cash Equities na B3.
Ela ressalta, porém, que o mercado já entra nesse movimento em um estágio mais maduro do que em ciclos anteriores. Segundo a executiva, a própria evolução recente da indústria comprova essa mudança estrutural. “Uma prova disso foi a quebra de recordes que os FIIs já atingiram nos dois primeiros meses deste ano, com mais de 3 milhões de investidores, R$ 200 bilhões em custódia e alta liquidez”, diz.
Mesmo em um cenário de cortes mais graduais da Selic, a tendência é de manutenção da liquidez, ainda que o apetite marginal possa oscilar. “Os FIIs hoje contam com uma base mais ampla, mais resiliente e com maior profundidade de negociação do que no passado”, afirma Maria. Para ela, o segmento já não depende exclusivamente de uma queda rápida dos juros para sustentar o interesse dos investidores.
“A velocidade do corte pode influenciar o apetite marginal, sem dúvida, mas os números atuais da classe mostram que o segmento já opera apoiado também em outros fatores sólidos”, diz.
Essa mudança também se reflete no perfil dos participantes do mercado, com avanço da presença institucional e estrangeira, o que tende a dar mais estabilidade ao fluxo de negociação.
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Mercado mais maduro reduz dependência do ciclo de juros
A entrada de investidores institucionais tem ganhado relevância no mercado de FIIs, reduzindo a dependência exclusiva da pessoa física. Segundo Bianca Maria, esses investidores já respondem por 23% do volume negociado, enquanto os estrangeiros representam 24,2%, ambos com crescimento relevante na comparação anual.
Para esse público, no entanto, o nível de juros é apenas um dos fatores considerados. “Profundidade de mercado, capacidade de execução, previsibilidade regulatória, qualidade dos ativos e liquidez são determinantes”, explica.
Já no varejo, a tendência segue sendo de crescimento estrutural da base, ainda que com oscilações ao longo do ciclo econômico. “Nossa leitura é a de que os fundos imobiliários estão se consolidando como uma das principais portas de entrada para investidores na renda variável e que cada vez menos a classe dependerá de ciclos de mercado favoráveis para sustentar seu crescimento”, conclui.
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