Corte da Selic vai reduzir o dividendo do maior FII do mercado? A Kinea responde

Após concluir a maior emissão da história dos fundos imobiliários, o KNCR11 (Kinea Rendimentos Imobiliário) deve manter sua estratégia original, mesmo diante do cenário de queda da Selic. A avaliação é de Flávio Cagno, sócio e gestor da casa, que destacou a importância de preservar o mandato do fundo, baseado em operações pós-fixadas, de baixo risco e com foco em qualidade de crédito.
Com patrimônio superior a R$ 10 bilhões, o KNCR11 se consolidou como um dos principais veículos do mercado de crédito imobiliário, com exposição majoritária ao CDI e atuação concentrada em operações consideradas defensivas. Segundo o gestor, o objetivo não é alterar a essência do fundo, mesmo com as mudanças no cenário macroeconômico.
“A nossa grande intenção não é mudar os fundos ao longo do tempo. É se manter fiel aos mandatos. No caso do KNCR, que é o mais antigo, essa proposta de fundo pós-fixado, com operações altamente defensivas e devedores de primeira linha, se provou atrativa para os investidores”, afirmou Cagno ao Liga de FIIs.
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Queda da Selic pode melhorar qualidade de crédito
Na visão de Cagno, a queda da Selic, embora possa reduzir o rendimento nominal distribuído aos cotistas, tende a ser positiva para o mercado como um todo, especialmente ao aliviar o custo de capital das empresas e reduzir riscos sistêmicos.
“A gente torce pela queda de juros. Hoje o país tem um nível de risco muito grande com uma Selic elevada. Isso dificulta a capacidade das empresas de honrarem seus compromissos”, pontua.
Segundo ele, a redução dos juros pode contribuir para melhorar a qualidade de crédito das operações, além de estimular o dinamismo do mercado imobiliário. “Menos juros estimulam os negócios, trazem mais operações e reduzem riscos claros. Isso é positivo também para o investidor.”
Outro ponto destacado é o comportamento dos spreads ao longo do ciclo de juros. De acordo com Cagno, em momentos de Selic elevada, os spreads tendem a se comprimir, enquanto em ciclos de queda, há espaço para expansão.
“Quando a Selic sobe muito, os spreads fecham, porque o custo já está alto. Agora, com a queda, a gente deve ver o movimento contrário, com spreads aumentando gradualmente”, afirmou.
Seleção de crédito segue como ponto central da estratégia
Em um cenário de juros elevados, a gestão reforça a necessidade de manter disciplina na seleção de crédito, evitando operações com maior risco, mesmo diante de oportunidades pontuais.
“Quando você quer emprestar, o tomador não quer tomar. E quem quer tomar, muitas vezes é quem você não quer emprestar”, disse Cagno, ao comentar o desafio de originação no atual ambiente.
Segundo ele, o KNCR11 segue focado em operações altamente defensivas, com devedores de alta qualidade, mesmo em um contexto de maior pressão sobre empresas.
O gestor também destacou que o elevado custo financeiro no Brasil limita a viabilidade de projetos e reduz o volume de novas operações, o que impacta tanto o segmento high grade quanto o high yield.
Confira a seleção completa na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.
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