Conflito no Irã pode ser breve, mas decisões de Trump são ‘erráticas e incertas’, diz Verde, de Stuhlberger

O conflito no Irã se intensificou nas últimas semanas, gerando incertezas nos mercados sobre um possível choque inflacionário provocado pela disparada dos preços do petróleo, com o barril chegando perto dos US$ 120.

Para a Verde Asset, de Luis Stuhlberger, a expectativa é de que a guerra perca força nas próximas semanas. Segundo a casa, existe uma preferência política para que o conflito seja curto, considerando que os Estados Unidos vão às urnas em novembro deste ano para definir os membros da Câmara dos Deputados, além de parte do Senado, governadores e prefeitos, e que o partido de Donald Trump tem perdido popularidade.

No entanto, a Verde aponta que ainda é cedo para avaliar as consequências do conflito no médio prazo e que é difícil projetar os próximos passos do presidente dos Estados Unidos.

“Prognósticos sobre a evolução do conflito tendem a ter pouca valia – o estilo de decisão do presidente Trump é muito mais errático e incerto do que a capacidade analítica de qualquer um“, afirma.

A casa também destaca que a grande incerteza sobre o preço do petróleo e seus derivados, com a interrupção do trânsito de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, levou o barril do WTI, referência norte-americana, a subir +35,6% para US$ 91 na primeira semana de março, um movimento raramente visto na história.

“Esse choque no custo da energia impacta sobremaneira a inflação, as taxas de juros globais, e as perspectivas de continuidade do ciclo de crescimento global que vimos recentemente (e que o mercado precificava). Além disso, a incerteza sobre a duração do conflito faz com que os prêmios de risco subam, com preços de ativos sofrendo.”

Sobre o impacto no mercado brasileiro, a asset afirma que havia pouca “gordura” nos preços de ações, do câmbio e das taxas de juros. Por isso, foi observada uma correção majoritariamente técnica, com redução de fluxos.

“Os ventos externos ditam a direção, enquanto o ciclo político mistura escândalos – reforçando a preocupação com deterioração institucional que mencionamos recentemente – e perda de popularidade do incumbente. O ciclo eleitoral começa, para valer, em breve”, diz a carta da Verde.

Fundo Verde volta a comprar bolsa brasileira

O relatório indica que, em fevereiro, o fundo Verde reduziu sua exposição à bolsa brasileira no final do mês, mas retomou compras após as turbulências provocadas pela guerra no Irã.

A posição em ações globais permaneceu inalterada. Na renda fixa local, o fundo manteve posição comprada em juros reais. Nos EUA, a alocação continuou em juros reais e comprada em inflação implícita.

No câmbio, a Verde manteve posição no Renminbi chinês, incluiu o Iene japonês na cesta de moedas contra o Dólar, reduziu o Euro e manteve opções de compra no Real, além da posição em ouro. A alocação de crédito foi mantida.

No mês, o fundo registrou ganhos em ações brasileiras, ouro, juros reais locais e moedas, enquanto as perdas ocorreram em crédito e bolsa global.

O período reflete a continuidade das tendências observadas em janeiro, em especial a realocação de capitais para fora dos EUA e do Dólar. O ouro se destacou como termômetro dessa narrativa, com alta de 7,7% em fevereiro, após subir 13,4% em janeiro.

Os mercados emergentes também apresentaram desempenho positivo, com um índice amplo de bolsas emergentes avançando 5,9% no mês, liderado pela Coreia com 19,5%, enquanto o Ibovespa subiu 4,1%.