Cemig (CMIG4) salta quase 3% após balanço do 3T25 e figura como a única alta do Ibovespa

As ações da Cemig (CMIG4) figuram como a única alta do Ibovespa (IBOV) nesta sexta-feira (20), em meio a renovação da aversão a risco no exterior – que contamina o cenário doméstico.  

Por volta de 11h30 (horário de Brasília), CMIG4 subia 2,87%, a R$ 12,54. A ação também figurava entre as mais negociadas da B3, com 8,5 mil negócios e giro financeiro de 140,6 milhões.  


No mesmo horário, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, caía 2,20%, aos 176.306,34 pontos, na mínima intradia.  

O gatilho para a alta das ações da Cemig é o balanço do quarto trimestre (4T25). A distribuidora de energia elétrica teve lucro líquido de R$ 1,88 bilhão entre outubro e dezembro, aumento de 88% sobre o desempenho de um ano antes. 

A companhia também apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado de R$ 2,95 bilhões, 53,9% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior.  

 A Cemig ainda informou que o acordo homologado pelo TRT resultou em um efeito positivo líquido de R$ 1,19 bilhão no Ebitda do trimestre e R$ 788,1 milhões no lucro. 

 Já a receita líquida do 4T25 cresceu 2,9% no período, para R$11,50 bilhões.   

Em 2025, o investimento totalizou a cifra recorde de R$ 6,63 bilhões, um crescimento de 16,0% em relação a 2024, disse. No 4T25, o investimento realizado foi de R$1,9 bilhão, disse a companhia. 

Além do balanço, a Cemig anunciou a distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 658 milhões, com data “ex-direito” em 25 de março.  

O que dizem os analistas 

Para o Safra, a Cemig apresentou resultados ‘fortes’, impulsionados pelo reconhecimento do acordo pós-emprego relacionado ao plano de saúde da companhia.  

Os analistas destacaram o Ebitda, que ficou 6% acima das estimativas do banco e do consenso do mercado.  

Contudo, o banco ainda avaliou os números do operacional como “decente”. “A Cemig reportou resultados ajustados poluídos, com receitas acima do esperado, com a compensação de Geração Distribuída mitigando os impactos do desempenho mais fraco nos volumes do mercado cativo, parcialmente compensados por custos gerenciáveis ainda elevados, apesar de uma melhora no índice de inadimplência.  

Já a XP considerou os resultados ‘fracos’ no 4T25. Para os analistas Raul Cavendish e Bruno Vidal, o segmento de Geração e Transmissão deve continuar pressionado nos próximos trimestrais.  

Segundo eles, isso deve acontece porque a companhia está atualmente “short” em energia e terá que comprar “esses montantes a preços de mercado elevados”.  

Hora de comprar CMIG4?  

Tanto o Safra quanto a XP têm recomendação neutra para CMIG4 

Para os analistas da XP, a companhia tem conseguido capturar alguns ganhos de eficiência operacional e realinhar seu foco estratégico para a distribuidora.  

“No entanto, mantemos uma visão cautelosa sobre o potencial de novas vendas de ativos, dadas as especificidades e complexidades dos ativos não core remanescentes”, afirmaram Raul Cavendish e Bruno Vidal, em relatório.  

Eles ainda acreditam que as discussões em curso no âmbito do Propag sobre uma potencial privatização/federalização da companhia ofereçam pouco upside, uma vez que a assembleia legislativa estadual tem sinalizado que o único projeto de privatização que deve avançar neste momento é o da Copasa. 

O preço-alvo da XP para CMIG4 é de R$ 13,80 por ação em dezembro, o que representa um potencial de valorização de 13,2% sobre o preço de fechamento anterior. Ontem (19), os papéis da elétrica encerraram o pregão cotados a R$ 12,19.  

Já o Safra projeta a ação a R$ 12,50 no final deste ano, o que implica em uma leve alta de 2,5% sobre o preço de fechamento anterior.