Capital One compra Brex por US$ 5,15 bilhões em aposta na stablecoin

A Capital One anunciou ontem (22) a compra da Brex por US$ 5,15 bilhões. A fintech criada pelos brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras vinha apostando em tecnologia de stablecoin – criptomoedas atreladas ao dólar que facilitam pagamentos digitais instantâneos.

O valor representa menos da metade do pico de US$ 12,3 bilhões atingido pela Brex em 2022. O mercado reagiu mal à transação. As ações da Capital One caíram 3,2% após o anúncio.

Stablecoins como diferencial

A Brex anunciou em setembro de 2025 o lançamento de pagamentos nativos com USDC, uma stablecoin desenvolvida pela Circle. A promessa é se tornar a primeira operadora de cartões corporativos globais a aceitar esse tipo de transação.

O sistema permite que empresas paguem contas, enviem e recebam valores usando criptomoedas estáveis. A conversão para dólar é automática. Companhias de tecnologia e blockchain como Figure, Solana e Alchemy já estão na lista de espera para usar o produto.

Capital One absorverá essa infraestrutura de pagamentos com stablecoin como parte da transação. A aquisição acontece após a aprovação de legislação federal sobre stablecoins nos Estados Unidos. A lei trouxe mais segurança regulatória para o setor.

Segundo dados da CoinGecko, o mercado de stablecoins cresceu 18,6% desde julho de 2025, quando a lei foi sancionada. O total atingiu recorde de US$ 314 bilhões.

Valuation em queda

O preço pago pela Capital One é 58% menor que o valuation de 2022. Mesmo assim, está acima dos US$ 3,9 bilhões em que a Brex estava sendo negociada no mercado secundário.

O valor também é apenas uma fração dos US$ 32 bilhões atribuídos à Ramp. A concorrente foi criada dois anos depois da Brex e alcançou avaliação muito superior em rodada feita em novembro passado.

Investidores iniciais ainda saíram ganhando. Fundos como Ribbit Capital, Y Combinator e Kleiner Perkins, que entraram em 2017, viram seu investimento multiplicar mais de 700 vezes.

De startup do Vale para gigante bancário

Fundada em 2017, a Brex começou oferecendo cartões corporativos para startups do Vale do Silício. Franceschi e Dubugras tinham 20 e 21 anos na época. A empresa se posicionava como rival da American Express – a senha do WiFi do escritório era “BuyAmex”.

A Brex expandiu para grandes corporações de tecnologia. Hoje combina cartões, gestão de despesas e serviços bancários em uma plataforma integrada. A empresa usa inteligência artificial para categorizar gastos, aplicar regras de compliance e automatizar reconciliações.

Metade do pagamento será em dinheiro, metade em ações. Franceschi continuará como CEO da Brex dentro da Capital One. O negócio deve ser concluído em meados de 2026.

Contexto de consolidação

A compra faz parte de uma estratégia agressiva de Richard Fairbank, fundador e CEO da Capital One. Em 2025, o banco fechou a aquisição da Discover Financial por US$ 35 bilhões. Com isso, ganhou acesso a uma das poucas redes de pagamento que competem com Visa e Mastercard.

Não está claro se a Brex alcançou lucratividade. Segundo informações, há dois anos a startup queimava US$ 17 milhões em caixa por mês. A empresa tinha recursos suficientes apenas até março deste ano.

Franceschi e Dubugras fundaram antes a Pagar.me, vendida para a Stone. Os dois foram para Stanford mas abandonaram o curso para criar a Brex. A empresa levantou cerca de US$ 1 bilhão em capital desde a fundação.

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