Bolsas da Europa tombam pelo 2º dia consecutivo com guerra no Oriente Médio e cautela do BoE e BCE

Após sessão negativa na véspera, os índices europeus fecharam nesta quinta-feira (19) em forte queda com a nova escalada dos ataques no Oriente Médio e a manutenção dos juros pelo Banco da Inglaterra (BoE, em inglês) e pelo Banco Central Europeu (BCE).

O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com queda de 2,39%, aos 583,64 pontos.

Entre os principais índices, o DAX, de Frankfurt, tombou 2,82%, aos 22.839,56 pontos; o FTSE 100, de Londres, teve queda de 2,35%, aos 10.063,50 pontos; e o CAC 40, de Paris, caiu de 2,03%, aos 7.807,87 pontos.

O que movimentou os mercados europeus hoje?

As atenções do mercado seguiram concentradas no conflito no Irã, que entrou em seu 20º dia. Os investidores acompanharam ataques do Irã a instalações de gás no Qatar, como resposta aos ataques israelenses de quarta-feira (18) ao campo de gás South Pars, no país persa.

Além disso, Teerã disparou mísseis contra a Arábia Saudita. Na véspera, o Irã já havia emitido alerta de ataques a alvos de petróleo e gás em todo o Golfo.

A estatal do petróleo do Qatar, QatarEnergy, relatou “danos extensos” depois que a cidade industrial de Ras Laffan, um centro da indústria de energia, foi atingida por mísseis iranianos.

A Arábia Saudita disse ter interceptado e destruído quatro mísseis balísticos lançados em direção a Riad nesta quarta-feira e uma tentativa de ataque de drones a uma instalação de gás no leste do país.

A escalada ameaça piorar uma desorganização sem precedentes no fornecimento global de energia, o que elevou os preços dos contratos futuros do Brent para maio, que chegaram a bater os US$ 119 nesta manhã.

Com a guerra no radar, os bancos centrais da Inglaterra e da zona do euro decidiram, por unanimidade, manter as taxas de juros inalteradas. Além disso, os BCs alertaram sobre os riscos de alta da inflação, devido ao aumento dos preços de energia decorrentes do conflito no Oriente Médio.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, reiterou que a instituição está em uma boa posição para lidar com o “grande choque” que está de desenrolando.

Lagarde alertou, porém, que o ambiente externo continua sendo desafiador e que a guerra entre os EUA e o Irã traz riscos baixistas para as perspectivas de crescimento econômico, enquanto os riscos inflacionários são altistas.

Hoje, o BCE revisou para cima a projeção de inflação para 2026, de 1,9% para 2,6%, enquanto a do avanço do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro caiu de 1,2% para 0,9% neste ano. A Capital Economics destaca que a probabilidade de o BCE aumentar as taxas de juro em abril está aumentando.

O BoE também colocou um possível aumento dos juros no radar, caso os efeitos da guerra no Oriente Médio sejam prolongados. O BC disse ainda “estar pronto” para agir conforme necessário para garantir que a inflação permaneça no caminho certo para atingir a meta de 2% no médio prazo.

As decisões ocorreram na sequência do anúncio da manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e pesaram na busca por risco.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo