BofA eleva recomendação de Brasil para compra, citando queda dos juros

O Bank of America (BofA) aumentou sua recomendação para o Brasil para overweight (equivalente à recomendação de compra) em relatório divulgado nesta segunda-feira (12). Anteriormente, a recomendação era underweight (equivalente à venda).

“Começamos 2026 com uma visão construtiva para a América Latina. O Brasil está posicionado para um ciclo profundo de cortes de juros, potencialmente iniciando já no primeiro trimestre de 2026”, diz o time, liderado por David Beker.

Segundo o banco americano, o país oferece uma combinação atrativa entre valuation descontado, forte correlação positiva com cortes de juros e potencial de re-rating à medida que o ciclo monetário avança.

“O Brasil possui várias empresas capazes de gerar caixa mesmo em ambientes macro mais fracos, com retornos elevados sobre o capital e boa visibilidade de lucros”, comenta a equipe.

O BofA também realizou mudanças em seu portfólio, adicionando as ações da Raia Drogasil (RADL3) e da Ânima (ANIM3). Do outro lado, o banco retirou papel da Yduqs (YDUQ3).

Confira o portfólio completo do BofA para o Brasil:

EmpresaSetorPeso BofAPeso BrasilMkt Cap (US$ mi)P/L 2025P/L 2026
EcorodoviasInfraestrutura3,5%0,3%3178,55,0
Rede D’OrSaúde3,5%0,3%7.84632,024,5
AssaíVarejo4,5%0,4%7.18812,09,1
JBSAlimentos4,5%0,8%15.3336,96,8
Petrobras PNEnergia9,5%0,6%75.7383,56,1
BradescoFinanceiro5,5%0,3%34.0488,06,6
Itaú UnibancoFinanceiro10,5%0,4%80.3099,58,8
BTG PactualFinanceiro5,5%0,3%9.86612,410,9
BB SeguridadeFinanceiro6,0%0,3%14.45015,314,2
Rede D’OrSaúde4,5%0,3%19.17318,815,8

Os analistas defendem que gostam, principalmente, nomes domésticos ligados ao nível das taxas de juros e bancos. Entre os setores favoritos, com recomendação overweight, estão os de saúde (com Hypera e Rede D’Or) e grandes varejistas (JBS, Assaí e Raia Drogasil).

Fora do Brasil, o BofA segue overweight para a Argentina, citando o avanço do agenda reformista após a vitória do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas.

No México (marketweight), juros mais baixos e um provável desfecho positivo do USMCA podem dar suporte às ações. O banco mantém exposição ao Peru por meio do IFS, apoiada por uma visão macroeconômica construtiva, e segue sem exposição à Colômbia.

O BofA, apesar do otimismo, também cita que os riscos eleitorais persistem, com Brasil, Colômbia e Peru caminhando para as urnas neste ano.