BNP Paribas Asset adota postura defensiva e evita ‘apostas binárias’ diante da guerra no Irã

Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e o avanço do petróleo, a BNP Paribas Asset Management Brasil opta por uma estratégia de cautela. Para Marcos Kawakami, líder de renda variável da gestora, a incerteza sobre a duração do conflito torna qualquer aposta direcional extremamente arriscada, levando a instituição a priorizar o equilíbrio de riscos em suas carteiras.

O “nó de decisão” para o investidor, segundo Kawakami, depende de variáveis políticas e militares imprevisíveis. “Eu acho que a melhor decisão de um gestor hoje é ficar mais defensivo”, disse ao Money Times.

Na prática, isso significa manter a exposição dos fundos de ações similar ao Ibovespa. “Mas se eu estivesse em um fundo de retorno absoluto, por exemplo, talvez eu aumentasse a minha exposição de caixa pensando em esperar para ver o que vai acontecer”, disse.

“Eu prefiro não fazer essa tomada de decisão [sobre o desfecho da guerra] porque tenho muito pouca informação”, explica Kawakami. “Se tiver a solução da guerra rapidamente, eu vejo se os preços dos ativos e consumo discricionário, por exemplo, ou que são ativos de mais longa duração, estão adequados pela minha expectativa ou não”.

O ‘cronômetro’ das seis semanas e a logística global

A fundamentação para essa cautela reside no impacto logístico e produtivo. Kawakami destaca que 30% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz, região sob influência direta do Irã e cujo tráfego pode ser em breve paralisado.

Para o líder de renda variável da BNP Paribas, o mercado vive uma contagem regressiva baseada nos estoques. “Quatro semanas a seis semanas é mais ou menos o estoque médio da região. A partir daí, já começa a ficar preocupante o nível de oferta e demanda de petróleo”, analisa.

Ele pontua que o petróleo “andou o quanto andou” porque o mercado não havia vislumbrado ou precificado a magnitude dos ataques semanas antes.

Kawakami identifica uma “conjunção de fatores” que pressiona os ativos brasileiros. O primeiro é a fuga de capital: “Vínhamos de um momento muito positivo para emergentes, mas a aversão ao risco gera uma saída de investimentos do Brasil e causa depreciação cambial”.

Além do câmbio, o executivo alerta para a correlação direta entre o preço do barril e a inflação doméstica, o que já provocou uma abertura na curva de juros (alta de 50 a 70 basis points nos vértices).

“Juros mais elevados fazem com que os lucros das empresas sejam mais baixos pelo custo financeiro, além de expandir a taxa de desconto da bolsa, o que joga o preço dos ativos para baixo”, detalha o especialista da BNP Paribas.

A ‘árvore’ de decisão

Embora prefira a neutralidade no momento, Marcos Kawakami desenha dois perfis de decisão para quem deseja operar o risco geopolítico:

  • Cenário de Guerra Curta (até 2 semanas): Se a solução for rápida, a estratégia seria vender petróleo e comprar ativos domésticos (que sofreram a maior queda recente).

  • Cenário de Guerra Longa (mais de 6 semanas): A estratégia seria manter a compra em petróleo e vender ativos sensíveis a juros, que continuarão sofrendo com a pressão inflacionária e monetária.