Alta do petróleo e risco de inflação podem afetar os FIIs? Especialistas respondem

Imagem mostra uma plataforma de petróleo.

A escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio voltou a colocar no radar dos investidores possíveis impactos sobre inflação, juros e mercados financeiros globais. Apesar da turbulência externa, Evandro Buccini, sócio e diretor de crédito da Rio Bravo Investimentos, não acredita que a demanda por fundos imobiliários deva mudar de forma significativa no Brasil. Segundo ele, a classe de ativos já possui forte presença nas carteiras dos investidores.

“Os fundos imobiliários já têm uma difusão muito grande no país. Liquidez, renda mensal recorrente e previsibilidade continuam sendo os fatores que sustentam o interesse dos investidores”, comenta.

Em relação aos investimentos, Buccini destaca que ativos indexados ao IPCA tendem a se beneficiar relativamente em cenários de maior pressão inflacionária, sobretudo em horizontes mais longos.

Para ele, títulos ligados à inflação ajudam a preservar o poder de compra das carteiras e podem se beneficiar de eventuais movimentos de fechamento da curva de juros reais.

Essa dinâmica também pode favorecer, ainda que de forma marginal, fundos imobiliários de papel com exposição a CRIs indexados ao IPCA, especialmente em um ambiente de queda gradual da taxa básica.

É possível ter volatilidade na cota de FIIs?

No Liga de FIIs da última semana, o investidor Sidney Angulo, sócio do E-Business Park, afirmou que não pretende alterar sua carteira de fundos imobiliários.

Segundo ele, os fundos imobiliários costumam reagir de forma mais marginal a choques externos. Isso ocorre porque os ativos estão vinculados a imóveis físicos e contratos de longo prazo, o que tende a reduzir a volatilidade em comparação com outros mercados.

Na avaliação do Mateus Vitória Oliveira, CEO da Private Log, em momentos de maior volatilidade global os fundos imobiliários também podem atrair investidores em busca de previsibilidade de renda.

“Eles não têm o mesmo perfil de proteção imediata de títulos públicos de curtíssimo prazo, mas oferecem algo que muitos investidores procuram em períodos de incerteza: fluxo recorrente de dividendos”, comenta.

Expectativa para a inflação

Segundo o gestor da Rio Bravo, um eventual avanço do conflito tende a afetar inicialmente o câmbio e os preços do petróleo, o que poderia gerar impactos inflacionários no curto prazo.

Apesar disso, Buccini avalia que parte desse movimento costuma perder força com o passar do tempo, à medida que o mercado absorve o choque inicial. Ele lembra que dinâmica semelhante ocorreu no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando os preços das commodities dispararam no primeiro momento, mas depois passaram por um processo de acomodação.

Já Oliveira, da Private Log, também observa que um eventual agravamento da situação no Oriente Médio pode pressionar a inflação brasileira, principalmente por meio do mercado de commodities, em especial o petróleo.

Oliveira ressalta que esse tipo de choque normalmente não aparece de forma imediata nos índices de preços, mas tende a se refletir ao longo dos meses seguintes caso os preços de energia permaneçam elevados.

Por sua vez, Buccini alerta que o Brasil pode até se beneficiar relativamente após a fase inicial de volatilidade, dado o peso das commodities na pauta exportadora do país. Nesse cenário, o real poderia voltar a se valorizar, reduzindo parte das pressões inflacionárias.

“A minha impressão é que, daqui a algumas semanas, a gente não terá um impacto tão grande assim na inflação”, diz Buccini.

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Trajetória da Selic vai ser afetada?

Segundo Buccini, a política monetária brasileira ainda se encontra em terreno bastante restritivo, enquanto as expectativas de inflação vêm apresentando queda gradual, embora ainda não estejam exatamente no centro da meta (atualmente em 3%).

Nesse contexto, o diretor da Rio Bravo avalia que o ciclo de cortes de juros deve continuar, ainda que fatores como petróleo, energia e câmbio possam influenciar marginalmente o ritmo dessas reduções.

“Pode haver algum impacto nas expectativas e nas condições financeiras, mas olhando a situação hoje isso não parece ser determinante para a trajetória da Selic”, afirma.

A mesma visão é compartilhada pelo CEO da Private Log. “Choques de commodities elevam a inflação corrente e também podem afetar as expectativas inflacionárias. Quando isso acontece, a autoridade monetária costuma reagir com mais prudência no processo de flexibilização”, acrescenta.

Neste caso, fundos de papel com maior exposição a CRIs indexados ao CDI tendem a se beneficiar caso os juros permaneçam elevados por mais tempo, já que sua remuneração acompanha diretamente a taxa básica da economia.

“Diversificação entre fundos de tijolo e de papel, com atenção à qualidade dos ativos e dos contratos, costuma ser o principal mecanismo de proteção em momentos de maior volatilidade global”, conclui Oliveira.

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