Gestores continuam otimistas com Ibovespa, mas veem menos espaço para cortes na Selic, diz BofA

Os gestores de fundos da América Latina ainda seguem otimistas com a bolsa brasileira, de acordo com pesquisa mensal do Bank of America (BofA) divulgada nesta terça-feira (17). 

Agora, 76% dos entrevistados veem o Ibovespa (IBOV) acima dos 190 mil pontos em dezembro deste ano, contra 70% no mês passado. 

A novidade, porém, é a expectativa para o índice acima dos 200 mil pontos diminuiu. De acordo com a pesquisa, apenas 15% o veem acima de 210 mil pontos, abaixo dos 30% em fevereiro.

As visões sobre o principal fator determinante para as ações brasileiras também estão divididas entre as condições globais e as mudanças no cenário eleitoral.

A eventual retomada do fortalecimento do dólar e as taxas de juros mais altas nos Estados Unidos seguem considerados os maiores riscos para as bolsas latino-americanas, incluindo o Brasil. Os entrevistados pelo BofA projetam o dólar entre R$ 5,11 e R$ 5,40,  no final de 2026 — em linha com o R$ 5,40 projetado pelos economistas consultados pelo Banco Central no Relatório Focus da última segunda-feira (16). 

Já no contexto regional, os gestores esperam que o Brasil tem um desempenho superior ao do México nos próximos seis meses.

A pesquisa contou com a participação de 26 getores com aproximadamente US$ 72 bilhões em ativos sob gestão.

Cortes na Selic sob ameaça?

Os riscos geopolíticos podem diminuir o ritmo do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, na avaliação de 69% dos gestores entrevistados pelo BofA. Na pesquisa anterior, essa percepção era compartilhada por cerca de 30% dos entrevistados. 

A pesquisa, porém, foi realizada no início do mês, quando o mercado ainda precificava uma redução de 0,50 ponto percentual na Selic na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central desta quarta-feira (18). 

Hoje, tanto a curva a termo quanto Opções do Copom precificam um corte de 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. Essa também a expectativa dos estrategistas do BofA.

Por enquanto, não há um consenso entre os gestores entrevistados sobre o nível da Selic no final deste ano. O BofA, por sua vez, prevê a taxa básica de juros a 11,75% em dezembro deste ano.