Brava (BRAV3) tomba quase 4% após plano frustrado de comprar ativos da Petronas; entenda

A  Brava Energia (BRAV3) lidera as perdas do Ibovespa no pregão desta terça-feira (17), tombando 3,92%, a R$ 17,67, por volta das 11h (horário de Brasília). A queda acontece após anúncio do encerramento das negociações para aquisição de 50% do campo de Tartaruga Verde (Concessão BM-C-36) e do Módulo III do campo de Espadarte, localizados na Bacia de Campos e detidos pela Petronas Petróleo Brasil.


O movimento ocorreu depois que a Petrobras (PETR3; PETR4) decidiu exercer seu direito de preferência para aquisição desses ativos. O campo de Tartaruga Verde e o Módulo III no campo de Espadarte são atualmente operados pela estatal, que já detém 50% da participação. Com isso, a Petrobras passará a deter 100% dos ativos.

A conclusão da transação entre Brava e Petronas dependia, entre outros fatores, justamente da manifestação quanto ao direito de preferência do atual operador.

Os analistas destacam que a Brava Energia perde potencial para criação de valor, incremento de Ebitda e fluxo de caixa livre aos acionistas (FCFE).

No mesmo horário, a PETR3 subia 3,05%, a R$ 51,65, enquanto a PETR4 avançava 3,29%, a R$ 47,08.


Indices

PETR4 é beneficiada, mas BRAV3 perde

Na avaliação do BTG Pactual, pode haver uma reação mista do mercado em relação à Brava, uma vez que a aquisição aceleraria a trajetória de desalavancagem da empresa, ao mesmo tempo em que proporcionaria incremento de Ebitda e FCFE a partir deste ano.

“Esperamos que a Petronas reembolse a Brava pelos US$ 50 milhões pagos no momento da assinatura, em janeiro”, escreveram os analistas do BTG Pactual Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha.

Para os analistas, em contrapartida, a transação é positiva para a Petrobras, visto que consolida totalmente barris operados dentro de seu portfólio e reforça a geração de caixa de ativos que já estão sob seu controle operacional.

Em um contexto de Brent acima dos US$ 100 — e considerando que a transação é economicamente retroativa a julho de 2025 —, a expectativa do banco é de que o desembolso efetivo de caixa no fechamento seja relativamente limitado, já que parte do valor será ajustada pelos fluxos de caixa já gerados pelos ativos.

Sem potencial para criação significativa de valor para a Brava

A XP Investimentos, em relatório, destaca que o anúncio é negativo para a Brava, pois a transação apresentava potencial para criação significativa de valor.

Nos cálculos da corretora, o ativo poderia gerar um valor presente líquido de cerca de US$ 250 milhões a US$ 470 milhões com o Brent entre US$ 60 e US$ 70 por barril — o equivalente a cerca de 15% a 28% do valor de mercado da BRAV3.

“Por outro lado, embora seja positivo em termos de geração de valor, o tamanho da transação não é significativo para a Petrobras (cerca de 0,2% a 0,5% do valor de mercado da Petrobras)”, afirma o analista Regis Cardoso, da XP Investimentos.