Ouro recua mais de 1% com guerra no Oriente Médio e decisões sobre juros no radar
O ouro encerrou a sessão desta segunda-feira (16) em queda de mais de 1%, apesar do enfraquecimento do dólar e dos preços do petróleo. Os investidores mantiveram os desdobramentos do conflito no Irã com preocupações sobre os impactos inflacionários nas maiores economias do mundo.
O contrato mais líquido do ouro, para abril, terminou o pregão com queda de 1,15%, a US$ 4.994,00 por onça-troy, na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex).
Já a prata para março teve queda de 0,80%, a US$ 80,26 por onça-troy.
O que mexeu com ouro hoje?
O ouro manteve-se no nível de US$ 5.200 por onça-troy, na expectativa por decisões de política monetária. Na próxima quarta-feira (18), o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) deve manter os juros norte-americanos inalterados, na faixa de 3,50% 3,75% ao ano.
Já na quinta-feira (19), o Banco Central Europeu (BCE) decide sobre os juros e a expectativa também é de manutenção a 2% ao ano.
Na avaliação do UBS WM, o desempenho recente do ouro reflete um comportamento histórico em cenários de tensões geopolíticas elevadas – quando os investidores buscam liquidez e consideram alternativas, como ativos ligados à energia.
“Por exemplo, o ouro subiu 15% após o início da Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, mas depois recuou entre 15% e 18% à medida que o Federal Reserve elevou os juros. O mesmo ocorreu durante a Guerra do Golfo e a Guerra do Iraque — quando os preços subiram 17% e 19%, respectivamente, no início dos conflitos, mas caíram conforme as tensões diminuíram”, afirmou o banco em relatório.
O UBS espera que os preços do ouro subam entre US$ 5,9 mil a US$ 6,2 mil por onça-troy até dezembro deste ano.
A TD Securities destaca que a elevada correlação do ouro com ativos de risco e o forte movimento conjunto em todo o complexo de commodities sugerem oscilações amplas do mercado.
“Um choque estagflacionário afeta tanto o crescimento quanto a inflação, complicando as implicações para o Federal Reserve (Fed), especialmente considerando o histórico recente de inflação considerada ‘transitória’”, aponta o banco de investimentos canadense.
*Com informações de Estadão Conteúdo