Alta nas projeções para inflação pode ter impacto na decisão do Copom, diz estrategista da Warren; veja destaques do Giro do Mercado de hoje (16)

Os investidores se preparam para a Super Quartas, com as decisões monetárias do Federal Reserve e o Banco Central, e as expectativas não são boas.

Boletim Focus desta semana trouxe mudanças nas avaliações dos analistas para 2026. A projeção é que os juros terminem o ano nos 12,25%; já a perspectiva para a inflação subiu de 3,91% para 4,10%.

Sobre os novos dados de inflação, Luis Felipe Vital, estrategista da Warren Investimentos, apontou que se trata de um reflexo da guerra do Irã.

“Quando pensamos em conflito no Oriente Médio, a análise que temos é de que o conflito tem um viés inflacionário. Ele pressiona o dólar e afeta o petróleo e, consequentemente, a inflação aqui. Isso, naturalmente, vai ter algum impacto no Copom de quarta-feira”, afirmou em entrevista ao Giro do Mercado.

Para a reunião da autoridade monetária, marcada para quarta-feira (18), o estrategista se diz otimista, mantendo a aposta de corte de 0,50 ponto percentual da Selic.

“Quando lemos o histórico, temos um mercado que foi extremamente otimista, que esperava um corte de juros bem agressivo”. Para ele, esse humor começou a mudar quando saiu o IPCA-15, com uma surpresa inflacionária. Além disso, o conflito no Oriente Médio e os dados de atividade também desagradaram o mercado.

  • Na quarta-feira, às 18h30, o Money Times faz o Giro do Mercado especial Copom, com especialistas convidados comentando as principais decisões da Super Quarta. O programa pode ser assistido ao vivo no canal do YouTube do Money Times.

Ainda no cenário nacional, o Banco Central divulgou a prévia do PIB (IBC-Br) de janeiro, que apresentou alta de 0,80%, levemente abaixo da expectativa de 0,85% do mercado.

“Eu não gosto muito da leitura desse IBC-Br de janeiro. Quando abrimos esses dados, continuamos vendo o crescimento de serviços e indústria. O que puxou para baixo foi agropecuária, que não é sensível à política monetária. Eu coloco esse IBC-Br como mais um indicador de atividade pressionando”, comentou Vital.

Hoje, o Ibovespa (Ibov) abriu em alta, chegando a um crescimento de quase 2%. De acordo com o especialista da Warren, a decisão do Tesouro de cancelar os leilões programados para a semana e anunciar leilões extraordinários contribuiu para o otimismo do mercado no Brasil.

Na ponta positiva do índice, as varejistas como um todo lideravam as altas do dia. Já do lado negativo, Porto Seguro (PSSA3), WEG (WEGE3) e MBRF (MBRF3) foram as principais baixas.

No cenário internacional, a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã ganha novas camadas após Israel afirmar que pensa em manter o conflito por pelo menos mais três semanas. O confronto no Oriente Médio caminha para terceira semana, sem um fim claro à vista.

“O que me chama atenção nesse conflito é o nível de volatilidade que ele está causando nos mercados. O que temos de mais concreto é a Agência Internacional de Energia considerando utilizar os estoques estratégicos e a ideia do Trump de que outros países apoiem a segurança no estreito de Ormuz”, ressaltou Vital.

*Com supervisão de Juliana Américo