Itaú BBA vê oportunidade rara em peso-pesado da bolsa; potencial é de 50%
Quando se fala em varejo, parte dos investidores e do mercado costuma virar a cara. Mas, quando o assunto é o Mercado Livre (MELI), a conversa é outra.
A companhia sempre figura entre as principais escolhas de gestores e analistas. Com o Itaú BBA não foi diferente. Os analistas até reduziram o preço-alvo, de US$ 2.600 para US$ 2.500, porém o valor ainda representa potencial de alta de 50% em relação ao último fechamento.
Os analistas argumentam que reduziram as estimativas para incorporar um período mais longo de margens de lucro operacional (EBIT) mais baixas.
A própria administração reiterou sua confiança em um nível de margem EBIT de aproximadamente 9%, patamar com o qual a MELI encerrou 2025 — sem alavancagem operacional em 2026, dado o nível de investimentos contínuos em frete grátis, cartão de crédito e comércio internacional.
Com isso em mente, o Itaú cortou a projeção de EBIT para 2026 em 13,8%, para US$ 3,5 bilhões (margem de 9,1%), e a de lucro líquido em 14,3%, para US$ 2,37 bilhões.
Para o primeiro trimestre de 2026, os analistas dizem que o nível típico de margem EBIT deverá ficar em torno de 9%.
Crescimento em primeiro lugar, qualidade depois
Um dos pontos que pesam contra a ação é o caminhão de dinheiro que o Mercado Livre gasta em investimentos.
Por outro lado, os resultados aparecem: os indicadores qualitativos e quantitativos sugerem que a execução está indo na direção certa, destaca o Itaú.
Ainda assim, investidores parecem pouco dispostos a pagar por essa melhora.
Desde janeiro, o mercado tem torcido o nariz para as techs por conta do alto investimento em tecnologia e das incertezas envolvendo inteligência artificial.
Os analistas do Itaú lembram que esses investimentos se traduzem em quedas nominais ano a ano no lucro operacional (EBIT) e no lucro por ação (EPS — earnings per share) para uma empresa negociada a um múltiplo preço/lucro (P/L) considerado elevado, de aproximadamente 36 vezes para 2026.
Outras varejistas negociam na faixa de 20 vezes.
A luz no fim do túnel?
A luz no fim do túnel, porém, parece próxima.
Após interagir recentemente com a empresa, os analistas dizem ver as projeções de compra e venda convergindo para um EBIT de aproximadamente US$ 3,5 bilhões (margem de 9%) para 2026.
Isso pode sinalizar que as revisões para baixo estão próximas do fim.
“Poucas coisas são mais prejudiciais para uma ação do que revisões negativas persistentes nos lucros”, afirma o relatório.
Ainda segundo o Itaú BBA, olhando para frente, o segundo semestre de 2026 poderá marcar uma inflexão nas margens, com retomada da expansão ano a ano — o que naturalmente proporcionaria um alívio relevante.
“Até lá, é provável que as ações permaneçam sob pressão, sem catalisadores claros no curto prazo. Assim, para fundos de hedge, a relação risco-retorno parece pouco atraente. Para investidores de longo prazo, talvez seja uma daquelas oportunidades que a MELI raramente oferece.”