Cargill: Brasil segue normas do importadores de soja, diz ministério

O Ministério da Agricultura (MAPA) afirmou nesta sexta-feira (13) que as exportações de soja brasileira e de seus derivados seguem as normas e os protocolos estabelecidos pelos países importadores, ao comentar a reclamação do presidente da Cargill no país de que mudanças nas inspeções fitossanitárias estariam gerando entraves para embarques com destino à China.

O presidente da Cargill no Brasil, Paulo Sousa, disse à Reuters nesta semana que a companhia — principal exportadora — suspendeu operações de exportação de soja brasileira para a China devido a alterações na inspeção fitossanitária conduzida pelo governo brasileiro, o que teria afetado a emissão de certificados.

Segundo ele, o Brasil passou a adotar uma inspeção mais rigorosa para a soja destinada à China após solicitação do governo chinês, e a nova fiscalização tem dificultado o cumprimento das normas pelos comerciantes e a obtenção da autorização para embarque do produto.

De acordo com Sousa, a situação coloca em risco os embarques brasileiros em um momento de escoamento da safra nacional, que ainda está em fase de colheita.

Em resposta a um pedido de comentários da Reuters sobre as declarações de Sousa, o ministério afirmou, em nota, que tem “papel central nesse processo (de fiscalização), tendo em vista ser a autoridade nacional competente para certificar o atendimento das exigências fitossanitárias dos países que adquirem a soja brasileira”.

Segundo a pasta, “a robustez do sistema de defesa agropecuária brasileiro, reconhecido internacionalmente, reside, entre outras características, em sua capacidade de certificar o cumprimento dos requisitos sanitários e fitossanitários”.

A nota acrescenta ainda que a abertura de novos mercados e a manutenção dos já existentes dependem da credibilidade do sistema de defesa agropecuária, “que vem atuando de maneira responsável e técnica”.

Sem mencionar diretamente a Cargill, o ministério afirmou também que tem “compromisso com o agronegócio nacional e trabalha com a certeza do comprometimento dos produtores e exportadores brasileiros com os critérios já estabelecidos para manter a confiabilidade e a competitividade da soja nacional no mercado externo”.

Na quinta-feira (12), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) disseram que estão acompanhando “de forma atenta e com preocupação os recentes desdobramentos relacionados aos embarques de soja destinados ao mercado chinês”.