Hypera (HYPE3) sobe mais de 2% após números mais fortes no 4T25, mas analistas classificam resultado como “neutro”; entenda

As ações da farmacêutica Hypera (HYPE3) sobem 2,44%, a R$ 21,86, por volta das 12h12 (horário de Brasília) após um resultado do quarto trimestre de 2025 (4T25) com números mais fortes do que o esperado pelo mercado. Os analistas, no entanto, classificaram os dados como neutros.

A Hypera reportou lucro líquido de operações continuadas de cerca de R$ 450 milhões no período, ligeiramente acima do esperado pelo mercado, impulsionada por base de comparação mais fraca com um ano antes, segundo balanço divulgado na quinta-feira (12).

A companhia também apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda de operações continuadas de R$ 748,4 milhões de outubro ao final de dezembro.

Os analistas destacam que a Hypera ainda precisa reduzir a alavancagem e apresentar uma trajetória mais forte da receita líquida para melhora das perspectivas da farmacêutica, embora tenha mostrado bons números de lucro líquido.

Entre as instituições, o BTG Pactual e o Safra mantiveram as recomendações neutras, enquanto o Bradesco BBI seguiu com recomendação de compra para a HYPE3.

Não há muito para se animar com o 4T25 da Hypera

O BTG Pactual avalia que, de forma geral, não há muitos motivos para se entusiasmar com os resultados do 4T25 da Hypera. O banco ressalta, porém, que também não há novos fatores negativos apresentados pelo balanço.

Para o BTG, o avanço do sell-out entre 7% e 8%, com forte crescimento na demonstração do resultado do exercício, reflete uma base de comparação favorável, já que o programa de otimização de capital de giro está em vigor desde o quarto trimestre de 2024.

Além disso, o crescimento de 48% da receita líquida na comparação anual está atrelada em grande parte a uma base de comparação favorável no quarto trimestre de 2024 parcialmente compensada por vendas institucionais mais fracas e descontos promocionais maiores destinados a sustentar o sell-out de genéricos.

“Seguimos aguardando sinais mais claros de uma aceleração mais relevante no crescimento de sell-out. Por enquanto, mantemos recomendação neutra para a ação, pois antecipamos um yield de geração de fluxo de caixa relativamente limitado em 2026, de apenas 7%”, apontam os analistas Samuel Alves, Maria Resende e Marcel Zambello.

Para os analistas do BTG, uma trajetória mais forte de receita líquida, impulsionada por maior crescimento de sell-out, provavelmente seria o principal catalisador para uma visão mais construtiva para a empresa.

O BTG manteve o preço-alvo de R$ 27 para o papel, implicando em um potencial de valorização de 26%, em relação ao fechamento anterior (R$ 21,34).

HYPE3 precisa de crescimento mais encorajador e redução de alavancagem

Segundo o Banco Safra, o lucro líquido da Hypera no 4T25 foi o destaque do balanço e veio bem acima do esperado, devido à melhora nos resultados financeiros. Ainda assim, a instituição espera ver um crescimento mais encorajador e redução da alavancagem para elevar a recomendação da farmacêutica.

Em relação à alavancagem, o banco destaca que a empresa reportou dívida líquida de R$ 7,7 bilhões, apenas 6% maior que no 3T25, principalmente devido ao serviço da dívida e pagamento de dividendos.

Além disso, a HYPE3 registrou geração de fluxo de caixa livre de R$ 497 milhões no 4T25, impulsionada por maior fluxo de caixa operacional e menor capex, de acordo com os analistas do Safra.

O banco manteve o preço-alvo de R$ 28 para o papel, com potencial de valorização de 31%.

HYPE3 mostra valuation atrativo e resiliência operacional

Segundo o Bradesco BBI, apesar do 4T25 considerado neutro, a Hypera segue com valuation atrativo, negociando 8x o múltiplo de preço-lucro para 2026, e apresentando resiliência operacional.

“A estabilidade da margem Ebitda, mesmo diante de pressões pontuais em despesas comerciais, reforça a disciplina de custos: as despesas de marketing permaneceram estáveis em base anual e as despesas administrativas recuaram 12%, refletindo redução de equipes e menor uso de consultorias”, avaliam os analistas do BBI Marcio Osako e Larissa Monte.

Em relação às despesas de venda, os analistas observam que elas cresceram abaixo do sell-out do varejo e, ajustadas pelo impacto da menor apropriação de benefícios da Lei do Bem, teriam permanecido estáveis.

No balanço, o ciclo de caixa ancorado em 30% da receita continua sendo um diferencial relevante no setor, ressalta o BBI.

“Embora o canal institucional siga desafiador, o desempenho consistente no varejo e o portfólio fortalecido por lançamentos sustentam nossa recomendação de Compra, com perspectiva positiva para a evolução de margens e geração de valor nos próximos trimestres”, afirma.