Vale a pena investir em FIIs “alternativos”? Tiago Reis, da Suno, lista vantagens

Tiago Reis, fundador da Suno, no Liga de FIIs. foto: Reprodução.

A busca por diversificação dentro do mercado de fundos imobiliários tem levado investidores a olhar para segmentos menos tradicionais do setor. Para Tiago Reis, fundador da Suno Research, a expansão para ativos alternativos — como energia, infraestrutura ou data centers — pode ajudar a reduzir a correlação das carteiras em relação aos fundos mais tradicionais do mercado.

Segundo ele, o universo de REITs nos Estados Unidos mostra que o conceito de investimento imobiliário pode ir muito além dos setores mais conhecidos no Brasil, como shoppings, galpões logísticos e lajes corporativas.

“Nos Estados Unidos existem REITs de coisas que a gente nem imagina. Tem REITs ligados à publicidade, por exemplo. Em Nova York você vê vários outdoors com a marca Lamar — aquilo é um REIT que alugou aquele espaço para empresas como Coca-Cola ou Apple fazerem publicidade”, afirmou no Liga de FIIs desta semana.

Para Reis, a própria definição de ativo imobiliário pode ser mais ampla do que o investidor brasileiro costuma considerar. “A minha definição de imóvel é tudo aquilo que o sol encosta. Se o sol encosta em uma usina solar, isso também pode caber dentro de um fundo imobiliário.”

Neste contexto, ele acredita que o mercado brasileiro evolua para incluir novos segmentos, como hospitais, redes de farmácias, cemitérios, torres de telecomunicação e data centers.

“A infraestrutura da inteligência artificial vai exigir um capex enorme. Basta ver o que empresas como Google e Meta estão anunciando em investimentos. Essa infraestrutura poderia estar dentro de fundos imobiliários.”

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Energia solar como estratégia de descorrelação

Entre os exemplos de ativos alternativos está o SNEL11, fundo imobiliário voltado ao desenvolvimento de projetos de geração de energia solar distribuída.

Segundo Reis, um levantamento feito pela equipe da Suno com os maiores fundos do mercado mostrou que esse tipo de ativo tende a apresentar menor correlação com outros fundos presentes no IFIX, índice que reúne os principais FIIs da bolsa brasileira.

“A gente analisou os 30 maiores fundos do Brasil e avaliou a correlação entre eles. O SNEL apareceu como o fundo com a menor média de correlação em relação aos demais, o que é esperado porque ele tem uma natureza operacional diferente de um shopping ou de um galpão logístico”, explica.

Enquanto os segmentos tradicionais costumam acompanhar mais de perto o ciclo econômico e as variações de juros, ativos ligados à geração de energia podem responder a fatores adicionais, como clima e dinâmica do mercado energético.

Ativos defensivos em cenários de crise

Segundo Reis, esse tipo de estratégia também pode oferecer características defensivas em determinados momentos de crise econômica. Ele cita como exemplo dois períodos recentes de turbulência no Brasil: a recessão de 2015-2016 e a pandemia de 2020.

“Durante a crise de 2015 e 2016 houve uma seca forte no Brasil, que fez o preço da energia disparar. Isso, por incrível que pareça, poderia ter sido positivo para um fundo de energia”, afirma.

“Já durante a pandemia, mesmo com a paralisação de diversas atividades econômicas, o consumo de energia continuou ocorrendo”, acrescenta Reis. O fato pode proteger o investimento e aumentar a previsibilidade de recebimento de proventos.

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