BBAS3, BBDC4, ITUB4 e SANB11: Safra atualiza bancos e tem um novo favorito; veja potenciais
Os bancos são um dos carros-chefe da bolsa brasileira. Considerados lucrativos e resilientes, são sempre apontados como boas opções para atravessar o conturbado cenário brasileiro. No ano, inclusive, todos os bancões sobem mais de dois dígitos, embora a guerra no Irã tenha diminuído a disparada.
O Safra aproveitou o momento e atualizou suas projeções para os quatro grandes: Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11).
Embora não tenha mudado nenhuma recomendação, os analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre alteraram sua ação favorita: agora, o Bradesco é o queridinho, em vez do Itaú. “Vemos maior potencial de melhoria de qualidade”.
Não que o Itaú tenha sido deixado de lado. O trio lembra que o banco se destacou como o único a expandir o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido), sustentado por NII (Net Interest Income, margem financeira) e opex (despesas operacionais).
“Para os próximos três anos, apesar da barra mais alta, ainda vemos ganhos, embora mais modestos e principalmente impulsionados por opex”.
Veja as recomendações e os potenciais abaixo:
| Banco | Recomendação | Preço-alvo | Potencial |
|---|---|---|---|
| Bradesco | Compra | R$ 26 | 30% |
| Itaú | Compra | R$ 55 | 26% |
| Banco do Brasil | Neutra | R$ 28 | 8,3% |
| Santander | Neutra | R$ 41 | 28% |
Bradesco, o novo favorito
Foram dois anos desde que o Bradesco anunciou seu plano de voo para colocar a casa em ordem após sofrer com a disparada da inadimplência e a piora da qualidade da carteira. Embora a reestruturação não tenha acabado, os analistas já se sentem confortáveis em recomendar a ação sem peso na consciência.
Mesmo que o guidance (projeções) tenha diminuído o otimismo de parte do mercado, adiando alguns dos ganhos de eficiência, o Bradesco está no caminho certo.
“Para nós, a projeção do Itaú apenas atesta a oportunidade que o Bradesco possui, a qual deverá ficar mais clara em 2027”.
Nos custos, o BBDC4 faz a lição de casa: a presença física de agências diminuiu 25% nos últimos dois anos; diversos componentes das despesas administrativas já estão em queda ano a ano; e as despesas com salários cresceram 4,4% em 2025.
O Safra também aumentou a projeção de crescimento da carteira de empréstimos, agora alinhada com o ponto médio da orientação (+9,5% a/a), ainda impulsionada principalmente por PMEs (pequenas e médias empresas).
Esse cenário, combinado com uma premissa maior de custo de risco, levou a um aumento de 5% nas estimativas de provisões para 2026.
Além disso, o banco aumentou as projeções de despesas operacionais para 2026 e 2027 em 3% e 4%, respectivamente, o que implica ganhos de eficiência de 120 e 220 pontos-base.
Itaú: merecedor do preço que tem
O Itaú já subiu 52% nos últimos 12 meses, o que fez analistas questionarem se o banco não ficou caro. Mas o Safra diz que a entrega do banco mais do que compensa o preço.
Para os analistas, as projeções para 2026 e a análise de decomposição do ROE corroboram a visão de que, nos próximos anos, o principal fator de rentabilidade do Itaú reside na eficiência das despesas operacionais.
“Consideramos o aumento das despesas operacionais abaixo da inflação, sugerido pela projeção para 2026 no ponto médio (ou seja, 3,5% a/a), como o primeiro passo de um período plurianual de ganhos”.
Mas não será apenas isso que vai impulsionar o banco. A receita líquida de juros ajustada ao risco ainda sustenta a consistência do Itaú, embora os ganhos devam ser menores no futuro.
Após ajustes finos, as projeções de lucro líquido para 2026 e 2027 são de R$ 51,5 bilhões e R$ 56,1 bilhões, respectivamente — 1% e 2% maiores em relação às estimativas anteriores e 1% e 2% abaixo do consenso.
Banco do Brasil, menos pior, mas…
No Banco do Brasil, a falta de surpresas negativas virou um fator positivo. Isso porque, desde o primeiro trimestre de 2025, o banco sofre com a piora do agronegócio.
Em encontro com a diretoria do banco, a mensagem foi de que a instituição, até agora, encontra o caminho da recuperação e que bons frutos podem ser colhidos já no segundo trimestre de 2026.
Por outro lado, o Safra diz que, por mais positivos que sejam os esforços da administração para conter a formação de NPLs (Non-Performing Loans, empréstimos problemáticos), menos de 10% dos pagamentos dos empréstimos agrícolas vencem no primeiro trimestre.
Apesar de ter reduzido as estimativas de provisões (em -4% e -9% em 2026 e 2027, respectivamente), elas ainda estão acima do limite superior da projeção do banco, devido a uma redução de custo de risco mais concentrada no final do período.
Em contrapartida, a projeção de despesas operacionais foi revisada para cima, principalmente para refletir maiores despesas com riscos legais.
Como resultado, o Safra estima lucro líquido para 2026 e 2027 de R$ 22,3 bilhões e R$ 26,8 bilhões, respectivamente — praticamente inalterado em relação às estimativas anteriores e 9% e 12% abaixo do consenso.
A recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 28.
Santander, sinal ainda amarelo
No relatório, o Safra diz que, ao adotar uma abordagem de menor apetite ao risco na estratégia da carteira de empréstimos, a rentabilidade do Santander está se tornando cada vez menos dependente do crédito.
Os analistas afirmam que há espaço para melhorar o ROE. A expectativa da gestão é que a rentabilidade volte aos 20% até 2028.
Porém, a trajetória depende fortemente das despesas operacionais (opex).
“Nossas estimativas e o consenso já apontam para um ritmo de crescimento das despesas operacionais na casa de um dígito baixo nos próximos anos. Se esse ritmo voltar a acelerar em algum momento, identificamos um risco de queda nos lucros que o crescimento lento da receita não seria capaz de diluir”.
O Santander ajustou as estimativas para refletir provisões ligeiramente maiores e despesas operacionais menores.
As estimativas de lucro líquido para 2026 e 2027 são de R$ 16,7 bilhões e R$ 19,1 bilhões, respectivamente, 6% menores em relação às projeções anteriores.
“Esperamos que o custo do risco aumente em 2026 (+20 pontos-base em relação ao ano anterior), refletindo a piora nos indicadores de qualidade dos ativos relatados no quarto trimestre — ou seja, inadimplência aumentando mais do que a de seus pares”.