Banco do Brasil (BBAS3): No agronegócio, ‘bons frutos’ podem ser colhidos no 2T26

O Banco do Brasil (BBAS3) assustou investidores no ano passado em meio ao momento ruim do agronegócio. Antes um porto seguro, o setor sofreu com a disparada da inadimplência. Mas agora o BB parece mais confiante de que o segmento pode voltar aos trilhos.

A diretoria da estatal, composta por Janaína Storti (chefe de RI) e Marcelo Alexandre (analista de RI), conversou com analistas do Banco Safra e, como era de se esperar, o principal tópico foi o agronegócio.

Desde que sofreu o baque no ano passado, o BB adotou uma série de medidas para passar a limpo a inadimplência no agro, entre elas conceder empréstimos com mais garantias e ser mais rigoroso na concessão de crédito.

“Os critérios de originação foram recalibrados, com maior uso de garantias, maior seletividade em relação a tomadores de maior qualidade e menor exposição por cliente”, diz o Safra.

Com essa abordagem mais equilibrada, a administração espera que a carteira do agronegócio permaneça praticamente estável em 2026.

O guidance (projeções) para o ano indica um crescimento de 2% da carteira e, no pior cenário, queda de 2%.

A boa notícia, segundo o Safra, é que não houve surpresas negativas na discussão, enquanto o BB espera que a visibilidade melhore ao longo do ano.

Ou vai, ou racha

Abril e maio devem ser os postos-chave para entender se as medidas do BB vão render bons frutos.

“Os indicadores de inadimplência devem fornecer o primeiro sinal significativo sobre se as medidas recentes para conter a formação de empréstimos não pagos (NPLs) estão funcionando”, diz trecho do relatório.

Outro ponto positivo é que cerca de 25% da carteira rural teve o prazo estendido por meio de renegociações ou refinanciamentos, “o que deve ajudar a reduzir a pressão de inadimplência no curto prazo”.

Mas riscos continuam

De qualquer forma, os custos de crédito devem continuar altos. Basicamente, o custo mede o valor total que se paga ao contratar um empréstimo ou financiamento.

Além dos juros, engloba tarifas administrativas, impostos (como o Imposto sobre Operações Financeiras — IOF), seguros e outras taxas obrigatórias.

Isso ocorre, entre outros motivos, justamente pelo mau momento vivido pelo agro.

Embora o primeiro semestre de 2026 ainda deva apresentar um custo de risco elevado, a administração espera uma normalização gradual à medida que a formação de NPLs (empréstimos não pagos) diminua e o ciclo de pagamentos agrícolas se normalize.

Pequenas empresas, grandes problemas

No segmento de pequenas e médias empresas, que foi outra dor de cabeça para o banco, a administração destacou que o desempenho do crédito tem estado intimamente ligado ao ciclo das taxas de juros.

“O aumento mais acentuado do que o esperado na Taxa Selic nos últimos dois anos pressionou as empresas que refinanciaram seus passivos na expectativa de custos de financiamento mais baixos”, destaca o Safra.

Como resultado, o banco adotou uma abordagem de concessão de crédito mais seletiva, priorizando tomadores com fundamentos de crédito mais sólidos e focando em programas com garantia governamental.

“Os indicadores de inadimplência de PMEs já começaram a mostrar uma estabilização gradual”.

A expectativa do mercado é que a Selic termine o ano em 12%.