Potencial de até 110%: As small caps para ter na carteira hoje, segundo 9 analistas

As small caps ainda guardam uma vantagem importante. Se o Ibovespa andou, parte das ações ainda está atrasada. Em fevereiro, o índice de small caps não conseguiu acompanhar a disparada da bolsa e subiu 1,9%, contra 4,1% do IBOV.

O que significa que, por ora, os investidores estão dando mais atenção às ações de maior peso. O que também pode ser uma oportunidade.

Para março, levantamento do Money Times com nove analistas mostrou uma disputa acirrada. Ao todo, quatro papéis receberam quatro indicações. A vice-liderança também ficou empatada, com três indicações cada.

Veja na tabela abaixo:

EmpresaTickerIndicações
C&ACEAB34
Pague MenosPGMN34
Aura MineralsAURA334
3tentosTTEN34
OrizonORVR33
MarcopoloPOMO43
JHSFJHSF33
Smart FitSMFT33

C&A

Na C&A Brasil (CEAB3), o potencial é alto — mais especificamente 110%, segundo o Santander, que tem preço-alvo de R$ 24,50 para 2026.

Os analistas do banco até dizem reconhecer as preocupações com a deterioração macroeconômica, mas permanecem confiantes de que a maturação das iniciativas da C&A sustentará o crescimento da receita e os ganhos de participação de mercado no médio prazo.

“Em 2026, esperamos que a C&A continue focada em sua agenda de aumento da produtividade das lojas, com benefícios da iniciativa Energia ainda a serem capturados”.

Adicionalmente, a aceleração na abertura de lojas (cerca de 40 novas unidades) e os investimentos em logística devem fortalecer os vetores de crescimento da companhia no médio prazo, tanto nas vendas em lojas físicas quanto no desenvolvimento adicional de seu canal de e-commerce.

Os analistas do BTG Pactual também dizem que, embora haja uma desaceleração do consumo no segundo semestre de 2025 (como em outros nomes de consumo), a C&A vem intensificando o foco em eficiência operacional, especialmente em vendas por metro quadrado, como principal catalisador de criação de valor em 2025.

“O programa Energia C&A, com horizonte de três anos, já capturou parte dos ganhos esperados, com mais avanços previstos para 2026 (mais de 50 iniciativas em andamento). A empresa segue usando precificação dinâmica para preservar competitividade”.

Pagando menos?

A Pague Menos (PGMN3), que protocolou junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedido de registro para uma oferta pública primária e secundária de 70 milhões de ações, é uma das queridinhas dos analistas.

Segundo o BTG, que recomenda o papel, embora a injeção de recursos deva proporcionar leve desalavancagem, a expectativa é de que a companhia continue superando seus pares do varejo farmacêutico, sustentada por forte momentum de resultados.

Já o Santander lembrou que elevou a recomendação da Pague Menos para “compra”, com preço-alvo de R$ 8.

“O processo de turnaround se mostrou mais rápido e mais sustentável do que inicialmente esperado. A companhia vem capturando de forma crescente as dinâmicas favoráveis do GLP-1, apesar de sua base de clientes de menor renda”.

Aura Minerals, ação que vale ouro

Outra companhia que se destaca é a Aura Minerals (AURA33), empresa que passou por uma virada e saltou cerca de 300% nos últimos anos.

Para o Santander, a companhia oferece uma combinação única de crescimento e retorno de caixa, com sólida exposição ao ouro — um dos metais preferidos do banco no momento — e potencial de ganhos operacionais.

A visão dos analistas é sustentada por quatro pontos:

  • exposição ao ouro e diversificação da carteira;
  • forte potencial de crescimento;
  • valuation atraente;
  • dividendos e alocação de capital.

“Projetamos dividend yield de aproximadamente 2% em 2026, abaixo dos níveis históricos da empresa e considerando a recente alta das ações (+67% em 2026 vs. +18% do Ibovespa), novos projetos e aquisições recentes. Dito isso, não assumimos dividendos extraordinários, o que acrescenta um potencial altista aos nossos números”.

Para o BTG, a Aura permanece como uma das poucas teses expostas ao ouro dentro do Ibovespa, commodity que o banco continua preferindo devido aos fundamentos estruturais, como a tendência de desdolarização.

Do campo para a carteira: 3tentos

Uma das poucas ações do agronegócio presentes na lista, a 3tentos (TTEN3) tem modelo de negócios dividido em três segmentos:

  • insumos agrícolas, oferecendo sementes, fertilizantes e agroquímicos;
  • originação e comercialização de grãos, que envolve a compra e venda de grãos, com capacidade instalada de armazenagem de 1,6 milhão de toneladas;
  • indústria, na qual a 3tentos processa farelo de soja, óleo de soja e biodiesel.

Recentemente, os analistas do Santander atualizaram o modelo da companhia, elevando o preço-alvo para R$ 20 (antes em R$ 19), reiterando a recomendação de “compra”.

“O momentum operacional da 3tentos deve seguir sólido, mesmo com a rentabilidade do agronegócio ainda sob pressão. Acreditamos que a queda nos prêmios de exportação da soja, impulsionada por acordos de compra entre China e Estados Unidos, pode beneficiar a dinâmica de mercado”.

Levantamento

O levantamento do Money Times levou em consideração as informações das carteiras de small caps divulgadas por nove instituições. Para março, foram indicadas 48 ações, somando 76 recomendações.

Foram consideradas as carteiras de BB Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Itaú BBA, Santander, Terra Investimentos, XP Investimentos, Ágora Investimentos e Ativa Investimentos.