Wall Street fecha semana em baixa com escalada das tensões no Irã e payroll mais fraco
Em novo dia de risk off, Wall Street fechou em queda, diante da escalada de tensão no Oriente Médio e do payroll bem mais fraco do que o esperado trazer dúvidas quanto à robustez da economia dos Estados Unidos e ao início de cortes nos juros norte-americanos.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,95%, aos 47.501,55 pontos;
- S&P 500: -1,33%, aos 6.740,02 pontos;
- Nasdaq: -1,59%, aos 22.387,67 pontos.
Com a aversão a risco, o Dow Jones perdeu cerca de 450 pontos, na pior semana em quase um ano para o índice.
No acumulado semanal, o S&P 500 caiu 2%, enquanto o Dow Jones recuou 3%. Já o Nasdaq perdeu 1,2%.
O VIX, considerado o termômetro do medo, disparou para 29,49 pontos, um avanço de 24,17%, superando a alta da última terça-feira (3). Acima do patamar de 30 pontos o índice aponta “turbulência extrema” no mercado.
O que movimentou Wall Street hoje?
As bolsas de Wall Street operaram em queda, acompanhando o temor do mercado em relação ao prolongamento do conflito no Irã, que entrou em seu sétimo dia.
Nesta sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não haverá acordo com o Irã que não seja uma “rendição incondicional”, o que resultou na disparada do preço do petróleo e alarmou os mercados.
Antes, Trump já havia dado a entender que os Estados Unidos deveriam participar do processo de sucessão de poder no Irã a fim de garantir um líder iraniano que evite conflitos.
O presidente dos EUA declarou ainda considerar “improvável” a ascensão política do filho do aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, morto em ataque israelense no último sábado (28).
Apenas na sessão de hoje, o petróleo Brent para maio saltou 8,52%, a US$ 92,69 o barril, negociado da Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Na semana, foi um avanço de 27%.
Já os contratos do West Texas Intermediate (WTI) para abril dispararam 12,20%, a US$ 90,90 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA. Esse é o maior valor do barril desde abril de 2024. Na semana, o WTI subiu 35%.
Mais cedo, o payroll de fevereiro apontou para destruição líquida de 92.000 postos de trabalho, diante da expectativa de criação de 55.000 vagas, segundo mediana do Projeções Broadcast. A taxa de desemprego avançou ainda de 4,3% em janeiro para 4,4% no mês passado.
O dado bem mais fraco do que o antecipado pelo mercado trouxe receio quanto à força da atividade nos Estados Unidos e trouxe dúvidas quanto ao início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve, com as apostas variando entre os meses de junho a setembro.
A junção de economia mais fraca e dinâmica de preços elevada, diante da alta do petróleo e dados do mercado de trabalho fracos, renovou os temores de estagflação nos EUA.
Segundo a presidente da unidade do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly, é preciso ter cautela ao olhar o payroll, já que números de um único mês não devem alterar completamente as perspectivas. Para Daly, no entanto, ambos os mandatos do Fed — pleno emprego e estabilidade de preços — estão atualmente em risco.
*Com informações de Reuters e CNBC