Petróleo dispara 9% com guerra no Oriente Médio e risco de choque de oferta

Os preços do petróleo avançam com força nesta sexta-feira (6), em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e ao aumento das preocupações com possíveis interrupções no fornecimento global de energia.

Os contratos futuros da commodity aceleraram os ganhos ao longo da manhã. O barril do WTI subia mais de 9% e ultrapassava o nível de US$ 88, atingindo o maior patamar em quase dois anos. Já o Brent avançava 6% com intensidade, a US$ 90 por barril.

O movimento reflete a reação dos investidores à intensificação das tensões na região após novos ataques militares envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o que elevou o risco geopolítico em uma das áreas mais estratégicas para a produção e o transporte global de petróleo.

Durante a madrugada, Israel lançou ataques aéreos contra Teerã, no Irã, e Beirute, no Líbano, atingindo alvos ligados ao Hezbollah. O governo israelense classificou a ofensiva como o início de uma “onda de ataques em larga escala”.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Peter Hegseth, afirmou que os bombardeios contra o Irã devem “aumentar dramaticamente”.

Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que existem “esforços de mediação” para conter o conflito, embora não tenha dado detalhes.

Além da guerra em si, o mercado monitora possíveis riscos logísticos para o transporte de energia. Fontes diplomáticas afirmam que a China negocia com o Irã a liberação da passagem segura de navios de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) do Catar pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo.

O avanço da commodity também contribui para elevar a cautela nos mercados financeiros globais, já que preços mais altos de energia podem pressionar a inflação e afetar o crescimento econômico mundial. O Ibovespa recuava 0,7%, influenciado também por dados da economia norte-americana divulgados mais cedo.

*Com Estadão Conteúdo