Hotelaria supera níveis pré-pandemia e reforça tese para FIIs do setor

Caio Adelfo, diretor de Real Estate do BTG, e Diogo Canteras, sócio-diretor da HotelInvest, respectivamente. Foto: Divulgação.

O setor hoteleiro brasileiro se recuperou do ciclo pós-pandemia em ritmo mais acelerado do que o próprio mercado previa. A avaliação é de Diogo Canteras, sócio-diretor da HotelInvest e gestor do FII HTMX11 (Hotel Maxinvest), que destaca que a retomada surpreendeu positivamente já a partir de 2023.

“A pandemia foi uma tragédia para a hotelaria. Todo mundo perdeu muito dinheiro e a gente não esperava que a recuperação fosse tão rápida”, afirma. Segundo ele, em 2023 as diárias médias e taxas de ocupação já se aproximavam dos níveis de 2019, ano pré-pandemia. E, em 2025, diversos destinos já operavam acima dos patamares históricos.

Rio de Janeiro e São Paulo se destacaram nesse processo. “O Rio teve um dos melhores anos da sua série histórica em 2025”, disse Canteras. A capital fluminense registrou altas taxas de ocupação e diárias superiores às expectativas iniciais dos investidores.

Histórico de desempenho do setor hoteleiro do Rio de Janeiro.

RevPAR (receita por quarto disponível) é um dos principais indicadores da hotelaria. Ele combina diária média e taxa de ocupação, mostrando quanto cada quarto disponível gera de receita, esteja ele ocupado ou não.

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Oferta estagnada sustenta recuperação

Para Canteras, parte importante da recuperação está ligada à dinâmica entre oferta e demanda. A hotelaria possui correlação praticamente direta com o PIB: se a economia cresce 1%, a demanda hoteleira tende a crescer na mesma proporção.

“O lado da demanda cresce pouco porque o PIB cresce pouco. Mas a oferta está praticamente estagnada no Brasil inteiro”, explica. Segundo ele, o alto custo de desenvolvimento e os juros elevados inibiram novos projetos, mantendo o estoque de quartos sob controle.

Essa combinação — oferta parada e demanda avançando gradualmente — tem permitido expansão contínua da rentabilidade, ainda que em ritmo moderado. “Se o PIB estivesse crescendo 3% ou 4%, seria incrível. A recuperação seria muito mais rápida. Mas ela continua acontecendo.”

Esse cenário é particularmente positivo para os FIIs com exposição ao setor hoteleiro, já que a combinação de oferta estagnada e demanda crescente tende a pressionar diárias médias e ocupação para cima, ampliando a geração de caixa dos ativos.

Lazer e luxo seguem dinâmica própria

José Paim, fundador da Rossi Residencial, acrescenta uma distinção importante entre hotelaria urbana e de lazer. Enquanto feriados prolongados prejudicam a hotelaria corporativa — concentrada em capitais como São Paulo —, beneficiam destinos turísticos.

Além disso, o segmento de luxo apresenta dinâmica global. “Na hotelaria de lazer, nosso concorrente é o mundo”, diz. Segundo ele, a elevação significativa dos preços da hotelaria de luxo no exterior abre espaço para destinos brasileiros capturarem parte desse fluxo.

Paim destaca especialmente a Serra Gaúcha como região em ascensão entre o público de alta renda. “Mesmo que o Brasil cresça pouco, há um componente internacional e uma região que está ficando na moda. Isso sustenta anos bons pela frente.”

Confira a entrevista completa na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.

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