Totvs (TOTS3) despenca 10% e engata segundo dia de perdas na B3: o que está por trás da liquidação das ações?  

As ações da Totvs (TOTS3) lideram a ponta negativa do  Ibovespa (IBOV), no segundo dia de perdas consecutivas em reação à venda da Dimensa.  

Por volta de 13h30 (horário de Brasília), TOTS3 recuava 10%, a R$ 39,24, na mínima intradia e figurando como a maior queda do principal índice da bolsa brasileira.


Totvs também é a segunda ação mais negociada na B3, com mais de 27,2 mil negócios e giro financeiro de 295,8 milhões.  

Ontem (3), as ações enceraram com queda de 3,26%, a R$ 43,60 – sendo a terceira maior queda do Ibovespa, em dia de forte apetite ao risco no mercado doméstico.  

Com a forte pressão vendedora, TOTS3 recua 11,4% no acumulado dos últimos três pregões e inverteu os ganhos do ano para queda de 6,2%.   

Os investidores ainda repercutem a venda da joint-venture Dimensa, formada a partir de ativos da Totvs (TOTS3) e B3 (B3SA3), por R$ 950 milhões para a multinacional latino-americana de tecnologia financeira Evertec. A operação foi anunciada na noite da última segunda-feira (2).  

A operação de venda da totalidade das ações da Dimesa pela Totvs ainda está sujeita às aprovações regulatórias, como a autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)  

Indices

Por que a venda desagradou o mercado?  

Na avaliação do Itaú BBA, apesar dos rumores de venda da Dimensa desde meados de 2025 e a consideração da Totvs de que a joint-venture “não era um ativo estratégico no longo prazo”, a venda não estava no radar dos investidores para se concretizar no curtíssimo prazo.  

O banco, porém, avalia a operação como positiva no ponto de vista estratégico, além de melhorar a flexibilidade de alocação de capital.  

“A alienação do ativo ajuda a reduzir riscos da tese de investimento e permite que a administração foque mais nos ativos centrais e nos principais vetores de valor da companhia, com ênfase especial no negócio de Cloud e na integração da Linx”, destaca a equipe de analistas liderada por Maria Clara Infantozzi.  

A equipe ainda destaca que a alavancagem líquida recua para cerca de 0,9x a dívida líquida/Ebitda após a venda da Dimensa, ante 1,2x dívida líquida/Ebitda na estimativa do banco para 2026. 

O Bank of America (BofA) também destaca que a venda também tende a aumentar a previsibilidade de receitas, “dado que a estrutura de renovação de contratos da Dimensa diferia daquela da principal divisão de gestão da Totvs, o que gerava maior volatilidade de curto prazo”. 

Nas contas do Safra, o desinvestimento tem potencial para destravar R$ 1,4 bilhão em valor patrimonial para a Totvs, além de ter um valor de empresa estimado em R$ 950 milhões.   

 Segundo o banco, a venda reforça a visão estratégica da empresa de desconsolidar o ativo e concentrar recursos em suas iniciativas de maior crescimento, como Cloud e IA.   

Apesar da venda ser favorável, o Citi avalia que a precificação atual das ações é “justa”, oferecendo um potencial de valorização limitado em relação a outras companhias pares.  

O que fazer com as ações TOTS3 agora, segundo os analistas?

Os analistas mantiveram as recomendações para as ações da Totvs, sendo majoritariamente de compra. Confira:

Banco/CorretoraRecomendaçãoPreço-alvoPotencial de valorização
Bank of America (BofA)CompraR$ 62,0042,20%
BTG PactualCompraR$ 55,0026,15%
Itaú BBACompraR$ 60,0037,61%
SafraNeutraR$ 47,007,80%
SantanderCompraR$ 61,0039,91%

*Potencial de valorização sobre o preço de fechamento da véspera. Em 3 de fevereiro, TOTS3 encerrou cotada a R$ 43,60.