O que Trump entregou para o mercado cripto após 1 ano de governo?
O primeiro ano do presidente Donald Trump marcou um paradoxo no mercado de criptomoedas. Apesar dos avanços regulatórios prometidos durante a campanha, os principais ativos digitais acumularam perdas expressivas. O Bitcoin recuou 13,4% desde janeiro. O Ethereum caiu quase 9%. Altcoins como Cardano despencaram 63%.
Enquanto isso, a família Trump movimentou cerca de US$ 1,4 bilhão com empreendimentos no setor. Os ativos digitais já representam mais de 20% do patrimônio total da família presidencial.
Promessas de Trump viraram ações concretas no mercado cripto
Trump assumiu o cargo se posicionando como um “presidente do Bitcoin”. Ele prometeu transformar os Estados Unidos na capital mundial das criptomoedas. Logo nos primeiros dias de governo, nomeou um czar para o setor. Indicou uma presidente favorável às criptomoedas para a SEC (Securities and Exchange Commission, a comissão que regula o mercado de valores mobiliários nos EUA).
O presidente também sancionou a Genius Act. Trata-se da primeira lei federal que regulamenta um segmento específico da indústria cripto americana.
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, nesta semana, Trump reafirmou seu apoio ao setor. Ele citou expectativas em torno da possível aprovação da Clarity Act, outro projeto de regulamentação.
Tarifas comerciais derrubaram o mercado
Os avanços regulatórios não foram suficientes para sustentar os preços. A política tarifária do governo exerceu pressão intensa sobre os ativos de risco.
O BeInCrypto identificou que todos os principais criptoativos acumularam retornos negativos no período. O XRP, da Ripple, caiu 39%. A SOL, da Solana, recuou cerca de 50%. A ADA, da Cardano, apresentou queda de 63%.
Dois momentos ilustram essa volatilidade. Após o anúncio das tarifas do Liberation Day, em abril, o Bitcoin caiu de US$ 83.000 para US$ 76.300. Foi o menor valor desde novembro de 2024.
Em outubro, quando Trump divulgou uma tarifa recíproca de 100% à China, o cenário piorou. O Bitcoin recuou de US$ 75 mil para cerca de US$ 67.500 em apenas uma sessão. O mercado cripto registrou bilhões de dólares em liquidações (vendas forçadas de posições quando investidores não conseguem manter suas garantias).
Outros fatores contribuíram para a instabilidade. As ameaças recorrentes à autonomia do Federal Reserve (o banco central americano) e o aumento das tensões geopolíticas ampliaram as oscilações.
Família Trump lucra enquanto mercado sangra
O portfólio de investimentos do presidente se diversificou ao longo do ano. Uma parte significativa foi direcionada para iniciativas no setor cripto.
Trump lançou uma memecoin (criptomoeda criada a partir de memes ou referências culturais) com seu nome dois dias antes da posse. A família também participa da World Liberty Financial, uma plataforma de finanças descentralizadas (sistema financeiro que opera sem intermediários tradicionais como bancos).
Segundo análise da Bloomberg, a família já movimentou cerca de US$ 1,4 bilhão com atividades ligadas ao segmento. O patrimônio em cripto dos Trump cresceu enquanto as carteiras de investidores comuns registravam perdas expressivas.
A administração tem sido alvo de questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse. Trump mantém atuação nos projetos mesmo ocupando a presidência. O volume do patrimônio familiar em cripto contrasta com a realidade de muitos investidores que perderam dinheiro no último ano.
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