Ibovespa deve alcançar até os 200 mil pontos nos próximos 12 meses, segundo analistas

2025 foi um ano de recordes: o Ibovespa (IBOV) registrou o maior nível de fechamento intradia por 32 sessões e chegou a ultrapassar os 165 mil pontos pela primeira vez.  

O principal índice da bolsa brasileira também teve o melhor desempenho anual em quase uma década.  

E, segundo analistas, o ritmo de ganhos deve continuar em 2026 – em um ano que promete ser agitado pelas eleições presidenciais no Brasil e no cenário geopolítico. 

Além disso, a bolsa brasileira segue “barata”. Mesmo com a forte entrada de fluxo estrangeiro que levou o Ibovespa às máximas históricas, o índice negocia a um valuation de 9 vezes a relação de preço sobre lucro (P/L), abaixo da média de 10,5x P/L dos últimos 10 anos e com um desconto relevante em relação aos pares emergentes.  

Para os principais bancos e corretoras, o índice deve alcançar os 200 mil pontos até dezembro, o que implica em um potencial de valorização de mais de 24% nos próximos 12 meses.  

Gatilhos para o Ibovespa 

A possível afrouxamento monetário e as eleições presidenciais em outubro– com a expectativa de uma mudança política – são os principais gatilhos para o Ibovespa neste ano, segundo analistas. 

“Historicamente, ciclos de redução da Selic tendem a beneficiar a bolsa e setores como o financeiro, de energia elétrica, saneamento e construção civil apresentam fundamentos sólidos e perspectivas positivas para 2026”, avalia a equipe de estrategistas do Itaú BBA.  

“Isso ocorre, principalmente, porque cortes de juros em contextos em que as condições de inflação se mostram adequadas tendem a fazer com que haja redução no custo de capital das empresas – tanto no custo do capital de terceiros (por meio da Selic mais baixa), quanto no custo de capital próprio devido a movimentos de fechamento da curva longa de juros”, acrescentaram em relatório.  

A expectativa do mercado, de acordo com o Boletim Focus desta segunda-feira (5), é de Selic a 12,25% ao ano – uma redução de 2,75 pontos percentuais, ou melhor, cinco cortes de 0,5 ponto percentual e um de 0,25 ponto pecentual, com início de afrouxamento em março.  

Em relação ao cenário político, o Safra observa que anos eleitorais costumam elevar a volatilidade, mas ressalta que, historicamente, a bolsa tende a se recuperar de forma relevante no período seguinte às eleições, especialmente quando há cortes de juros. 

O cenário externo também deve “ajudar”. O mercado ainda espera um corte nos juros dos Estados Unidos. 

“Isso pode continuar contribuindo para uma redução de juros em bancos centrais globais e ajudar o nosso mercado, tendo em vista que a nossa bolsa costuma reagir tanto à curva de juros aqui, quanto à dos EUA, atrelado ao apetite do investidor global”, avalia o estrategista de ações do Inter, Matheus Amaral.  

Já na avaliação da XP, a política monetária norte-americana não será um “grande vento favorável” para ativos dos mercados emergentes, como foi na segunda metade de 2025. Contudo, o diferencial de juros permanecerá elevado para alguns países, como o Brasil.  

Os riscos na mesa

As tensões geopolíticas continuam a ser um dos fatores de risco para a bolsa brasileira.  

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, o impasse nas tratativas de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia e a intervenção norte-americana na Venezuela continuam a injetar incertezas no mercado global.  

No cenário doméstico, o principal risco está na intensificação das políticas fiscais expansionistas.  

Nas contas do Inter, a dívida pública segue crescente saindo de 76% em 2024 para 82% em 2025, além de um déficit primário de R$ 42,3 bilhões nos últimos 12 meses até outubro.  

“Esse tem sido o grande limitador e centro das discussões dos riscos no Brasil, o que inclusive pode voltar ao foco dos investidores após as eleições de 2026”, afirmou Amaral, do Inter. “A grande pergunta, talvez, não seja quem vencerá as eleições e sim qual será o tomando do ajuste fiscal a ser feito.”  

O Itaú BBA também destaca que as medidas fiscais, principalmente que impulsionam a atividade econômica e o emprego no curto prazo, “podem gerar pressões inflacionárias, limitando o espaço para cortes de juros esperados para 2026”.  

“Caso isso ocorra, juros mais altos poderiam aumentar o custo de capital das empresas, pressionando os preços das ações”, e consequentemente, o Ibovespa.  

Confira os preço-alvos do Ibovespa dos principais bancos e corretoras:

Banco/CorretoraPreço-alvo IBOV
Bank of America180 mil pontos
Inter182 mil pontos
Itaú180 mil pontos
Morgan Stanley200 mil pontos
Safra198 mil pontos
XP185 mil pontos