Ibovespa recua com incertezas sobre juros e cenário eleitoral, com nova rodada de realização de lucros
O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (17), pressionado pela combinação de incertezas sobre o rumo dos juros no Brasil e nos Estados Unidos e pelo aumento das preocupações com o cenário eleitoral de 2026, o que estimulou um novo movimento de realização de lucros após os fortes ganhos acumulados ao longo de 2025.
O principal índice da B3 recuou 0,8%, aos 157.304,02 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 156.350,81 e a máxima de 158.610,62 pontos. Apesar do ajuste, o Ibovespa ainda acumula alta superior a 30% no ano, após ter superado os 165 mil pontos no início do mês.
O pregão foi marcado por volume financeiro elevado, de R$ 29,4 bilhões, influenciado também pelo vencimento de opções sobre o índice e de contratos futuros.
O ambiente mais cauteloso refletiu ainda a abertura forte da curva de juros doméstica, a alta do dólar e a leitura de que o avanço da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência pode reduzir a probabilidade de uma alternativa considerada mais favorável pelo mercado em 2026, aumentando os prêmios de risco e pesando sobre os ativos locais.
Os temores em relação a Flávio foram intensificados nesta quarta-feira, após nota do site Metrópoles informar no início do dia que o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, disse a integrantes do mercado que Tarcísio tentará a reeleição em São Paulo e que Flávio deve mesmo disputar o Planalto.
Por sua vez, Flávio embarcou para São Paulo no início da tarde para novo encontro com representantes do mercado, dando continuidade ao esforço de aproximação com a Faria Lima.
“Com Flávio forte (à frente de Tarcísio), Lula tem mais chance de ganhar a eleição. Então, sem solução para o fiscal para os próximos cinco anos”, comentou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, ao justificar a abertura firme da curva brasileira pela manhã.
O movimento reduziu as apostas de que o Banco Central cortará a taxa básica Selic, hoje em 15% ao ano, em sua reunião de janeiro. Durante a tarde, a curva precificava pouco mais de 40% de chance de redução de 25 pontos-base no próximo mês, pontuou a analista Laís Costa, da Empiricus Research. Na véspera, o percentual estava em 65%.
Ainda que o mercado precifique agora chances maiores de manutenção da Selic em janeiro, em meio às tensões políticas, a possibilidade de corte não é desprezível.
Na madrugada desta quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que reduz em 10% os benefícios fiscais federais de diversos setores e aumenta a tributação de bets e fintechs. O texto seguiu para o Senado, que pode votá-lo ainda nesta quarta.
*Com informações da Reuters