Ação da Copasa (CSMG3) salta mais de 5% após acordo em BH; o que dizem os analistas?

As ações da Copasa (CSMG3) operam entre as maiores altas da B3 e saltam 5% com avanço no processo de privatização da companhia.  

Por volta de 14h50 (horário de Brasília), CSMG3 subia 5,01%, a R$ 43,84. Mais cedo, os papéis, que são negociados fora do Ibovespa (IBOV), bateram a máxima intradia com avanço de 5,22%.


Na noite da última sexta-feira (5), a empresa de saneamento básico de Minas Gerais anunciou a assinatura de uma carta de intenções com a Prefeitura de Belo Horizonte, maior município atendido pela companhia, estabelecendo os termos para a extensão da concessão, cuja formalização deve ocorrer entre uma a duas semanas.  

O acordo prevê a extensão da concessão até 2073 – que estava prevista para 2034 – com pagamento de outorga estimada entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,5 bilhão.  

Esse valor compõe a base regulatória e melhorias regulatórias relevantes, incluindo curva de compartilhamento de ganhos de eficiência operacional e mudança na metodologia do WACC (custo médio ponderado do capital) – que é usado pelo regulador para definir a remuneração sobre a base de ativos –  e regras de compartilhamento de ganhos.  

A assinatura do contrato ainda depende da validação da ARSAE (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais) e as mudanças continuarão a valer depois da privatização.  

Acordo da Copasa foi positivo?

Na avaliação dos analistas, o acordo representa mais um passo no processo de privatização da Copasa.  

O Bradesco BBI, por exemplo, vê gatilhos importantes para as ações CSMG3 nas próximas semanas com a votação do projeto de privatização, anúncio da revisão tarifária de dezembro (com ajustes regulatórios) e assinatura do contrato com Belo Horizonte. 

“A extensão da concessão e as mudanças regulatórias reforçam a tese de criação de valor no processo de privatização previsto para o primeiro trimestre de 2026 (1T26), com potencial de captura de eficiência operacional e melhoria no retorno regulatório”, escreveram Francisco Navarret e Ricardo França, em relatório. 

O banco tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 56 – o que representa um potencial de valorização de 34,1% sobre o preço de fechamento da última sexta-feira (5).

O Itaú BBA também considerou a notícia como positiva, avaliando que as chances de privatização aumentaram consideravelmente nos últimos meses. 

“Esses movimentos representam eventos-chave de redução de risco (de-risking) e aumentam significativamente a probabilidade de privatização”, afirmou a equipe. 

O banco tem recomendação de compra para CSMG3 com preço-alvo de R$ 43,23 – uma alta projetada de 3,5% sobre o preço do fechamento anterior.