Adeus “dólar fraco”? Moeda ganha força no mundo e DXY volta a operar acima dos 100 pontos

O DXY voltou a operar acima dos 100 pontos nesta terça-feira (4). O índice, que mede a força do dólar frente outras divisas de países desenvolvidos (como libra e euro), não alcançava esse patamar desde julho deste ano. 

Por volta das 161h0, o DXY operava aos 100,17 pontos, com alta de 0,29%. Nos últimos 30 dias a alta acumulada é de quase 2,5%.

Há, segundo analistas, uma série de justificativas que levam a moeda americana a se valorizar, com variáveis tanto dentro dos Estados Unidos quanto fora.

José Faria Júnior, CEO da Wagner Investimentos, explica que, mais do que uma valorização do dólar, há, no momento, desvalorizações em série de várias moedas que compõem o índice — que vêm acontecendo já há algum tempo.

O DXY mede a força do dólar frente a moedas como a libra, o Euro e o iene japonês. Em comum, todas essas divisas vêm enfrentando problemas em seus países, ou regiões, sede recentemente.

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Faria Júnior relembra que Inglaterra, França e Japão estão, no momento, com “sérios problemas fiscais”. 

Na Inglaterra, por exemplo, a dívida pública chegou a o nível de 95% e o custo de financiamento vem subindo ao mesmo tempo em que o crescimento econômico está fraco. E, por enquanto, o governo vem sinalizando que vai buscar uma solução do lado da arrecadação, ou seja, aumentando impostos. 

Na França, a mesma coisa: a dívida pública, atualmente, está em 113% do PIB e as projeções mostram aumento até 125% em 2029 se nada for feito. Do outro lado, tentativas de cortes de gastos geraram reações negativas na população, com, por exemplo, a onda de protestos em setembro. 

Já nos Estados Unidos, Faria Júnior também enxerga o Federal Reserve dando declarações mais duras. 

Após o último Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que não há conclusão sobre a decisão de dezembro, que o mercado de trabalho está aquecido e que a inflação segue “teimosamente acima da meta”.

As declarações puxaram os treasuries yields, principalmente nas pontas mais curtas, para cima. 

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Já na ponta longa, o tesouro norte-americano também segue com taxas elevadas, em parte, principalmente, da situação fiscal do país também conturbada.

“Além disso, sem dados oficiais, o Federal Reserve pode acabar sendo mais conservador”, afirma o CEO da Wagner Investimentos, mencionando o shutdown, que já se estende há 34 dias — e com parte do mercado enxergando sua prolongação até o fim de novembro.

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, menciona que, nos últimos dias, o movimento de risk off visto nas Bolsas mundo afora também ajudou a fortalecer o dólar. 

“Ontem alguns gestores grandes, que fazem preço, falaram uma possível precificação um pouco esticada para os ativos da bolsa norte-americana. Eles sinalizaram que os índices podiam corrigir de 10% a 20%. Isso acaba gerando também uma movimentação de valorização do dólar, com investidores que estão saindo de ativos de risco buscando refúgio na moeda”, diz o economista.