Marcopolo (POMO4) desaba quase 10% em reação ao balanço do 3T25; o que decepcionou o mercado, na visão dos analistas?

Nesta sexta-feira (31), as ações da Marcopolo (POMO4) vivem um “dia de terror” na bolsa brasileira com queda de mais de 10% em meio ao “agito” da temporada de balanços. 

Os papéis da Marcopolo lideram as perdas da B3 e do Ibovespa (IBOV), além de figurar entre as ações mais negociadas. Por volta de 12h30 (horário de Brasília), POMO4 recuava 6,92%, a R$ 8,21. 

Na mínima intradia, a queda chegou a 9,52%. 


O forte tom negativo é puxado pelos resultados do terceiro trimestre (3T25)

A fabricante de carrocerias de ônibus teve lucro líquido de R$ 329,6 milhões entre julho e setembro, valor 1,8% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado

A empresa teve um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 419,8 milhões entre julho e setembro, representando uma queda de 9,9% sobre o desempenho de um ano antes.

Analistas esperavam lucro líquido de R$ 322,9 milhões e Ebitda de R$ 451,2 milhões para o terceiro trimestre, segundo média de previsões compilada pela LSEG.

O resultado foi pressionado em parte por forte queda nas receitas das operações brasileiras do grupo, que caíram 15,2% na comparação anual, para 1,24 bilhão. Do outro lado, o faturamento obtido com exportações a partir do Brasil e vendas das unidades internacionais da empresa saltaram 43% e 51,3%, respectivamente.

Balanço foi tão ruim assim?

Com os números abaixo do esperado, os analistas já esperavam uma forte reação negativa. 

Para a XP, os resultados da Marcopolo não atenderam às altas expectativas do mercado, apesar de alguns pontos positivos, como o avanço da margem Ebitda para 19,3%, uma alta de 0,5 ponto percentual na base anual.

Os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes também avaliam que os dados operacionais foram contrastantes: volume domésticos abaixo do esperado compensados por volumes mais fortes nas operações no exterior. 

Eles destacam, em relatório, que a rentabilidade também foi ofuscada por alguns efeitos. 

“Notadamente um impacto negativo (pontual e amplamente esperado) da equivalência patrimonial da NFI, bem como uma contribuição positiva relacionada ao programa Mover — mais recorrente, em nossa opinião, embora potencialmente variando em ordem de grandeza”, avaliou o trio. 

Os analistas do BTG Pactual classificam os resultados como ‘decepcionantes’, em parte. 

“Precisamos admitir que ficamos um pouco decepcionados com o ritmo lento de expansão de margem da Marcopolo neste ano. Acreditamos que isso se deveu, em parte, a um mix de produtos menos favorável e a um aumento gradual dos volumes”, escreveram os analistas Fernanda Recchia, Lucas Marquiori e Marcel Zambello, em relatório. 

O trio, porém, considerou que a surpresa positiva do balanço foi “justamente” a margem Ebitda — visão compartilhada com a análise da XP. 

Os analistas da Ágora Investimentos/Bradesco BBI chamaram a atenção para a perda de receita no trimestre — ficando abaixo da expectativa do mercado e da casa. “Tendemos a ver a perda de receita como a principal conclusão do trimestre, pois provavelmente levará a revisões para baixo nas previsões de receita de 2025/2026”, escreveram Daniel Federle e Wellington Lourenço. 

Nem tudo foi negativo

Para o Safra, os resultados da Marcopolo foram “ligeiramente” positivo, “já que a queda no desempenho doméstico foi compensada por uma melhora sólida nas vendas internacionais.”

O Citi, que considerou os resultados “pouco inspiradores”, destacou a resiliência da margem da Marcopolo — com a visão de que a métrica está próxima das máximas históricas, e isso sendo o principal ponto positivo do balanço. 

Os analistas também consideraram as vendas internacionais foram mais fortes como uma das surpresas positivas. 

O Itaú BBA, por sua vez, afirmou que a companhia continua com sua alocação de capital disciplinada, priorizando investimentos em modernização industrial e desenvolvimento de novos produtos.

“As taxas de juros elevadas no Brasil parecem estar limitando a renovação de frota, então a Marcopolo está focando em oportunidades de exportação e tecnologias de propulsão alternativa”, avaliou a equipe liderada por Gabriel Rezende. 

Hora de vender POMO4?

Para o BTG Pactual, a resposta é não. O banco tem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 12 — o que representa um potencial de valorização de 36,1% sobre o preço de fechamento da última quinta-feira (30), quando o papel encerrou o pregão cotado a R$ 8,82.

Os analistas afirmam que a perspectiva para a companhia no curto prazo segue positiva, embora o 3T25 seja o destaque do ano. 

“A carteira de pedidos de rodoviários no 4T25 segue robusta, garantindo estabilidade na produção. O segmento de urbanos continua crescendo, com maior participação de modelos articulados”, afirmaram. 

“Considerando a sazonalidade usual, as entregas devem seguir fortes em outubro e novembro, com mix favorável, antes de desacelerar em dezembro devido às férias coletivas, que devem se estender até o início de janeiro de 2026, acompanhando os fabricantes de chassis”, acrescentaram os analistas do BTG Pactual, 

Na mesma linha, a XP espera um desempenho operacional saudável adiante, embora a receita abaixo do esperado no 3T25 aumente as preocupações dos investidores em relação a uma possível desaceleração do ciclo.

Já para o Citi, a empresa parece estar sinalizando uma participação maior de ônibus urbanos em 2026, o que pode trazer volatilidade aos resultados, já que os ônibus urbanos são um segmento mais competitivo, com margens estruturalmente mais baixas em comparação com os rodoviários.