Ibovespa renova máxima intradia e fecha em alta após encontro de Lula e Trump e recordes em Wall Street; dólar cai a R$ 5,37
O Ibovespa (IBOV) encostou nos 128 mil pontos nas primeiras horas do pregão e renovou o recorde intradia com otimismo com um possível acordo entre Estados Unidos e o Brasil após uma reunião entre os presidentes dos dois países. O apetite ao risco também foi renovado pelo exterior.
Nesta segunda-feira (27), o principal índice da bolsa brasileira terminou o pregão com alta de 0,55%, aos 146.969,10 pontos. Durante a sessão, o Ibovespa atingiu uma nova máxima intradia histórica aos 147.976,99 pontos.
Já o dólar à vista (USBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3703, com queda de 0,41%.
No cenário doméstico, os investidores reagiram positivamente ao encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e dos Estados Unidos, Donald Trump — que aconteceu neste domingo (26), na Malásia.
Lula afirmou, em rede social, que a conversa “foi ótima”. Em entrevista coletiva após a reunião, o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo norte-americano concordou com uma cronograma de negociações com o Brasil para chegar a um acordo sobre o tarifaço contra o Brasil, nas próximas semanas.
Além disso, os economistas consultados pelo Banco Central (BC) reduziram as projeções para inflação pela quinta semana consecutiva, de acordo com o Boletim Focus.
A previsão do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 4,70% para 4,56% em 2025 — próximo ao intervalo de tolerância da meta perseguida pela autarquia, de 3% com margem de 1,5 ponto percentual.
Altas e quedas do Ibovespa
Entre as companhias listadas no Ibovespa (IBOV), as ações da Usiminas (USIM5) saltaram mais de 10% durante o pregão com reavaliação do balanço da companhia divulgado na última sexta-feira (24).
MBRF (MBRF3) também figurou entre as maiores altas do pregão. A companhia, fruto da fusão entre BRF e Marfrig, anunciou um acordo de investimento com a Halal Products Development Company (HPDC), uma subsidiária integral do fundo soberano da Arábia Saudita — e que resulta na criação da marca Sadia Halal.
Já a ponta negativa é encabeçada por Raízen (RAIZ4), que reage ao rebaixamento da Fitch Ratings.
A agência de classificação de risco rebaixou os ratings de default do do emissor (IDRs) em moeda estrangeira e local de longo prazo da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A. de BBB para BB- e fez o mesmo com as notas seniores sem garantia da Raízen Fuels Finance S.A. que vencem entre 2027 e 2054.
Entre os pesos-pesados, os bancos terminaram a sessão em alta. Petrobras (PETR4;PETR3) operou entre os papéis mais negociados da B3 em reação ao Relatório de Produção e Vendas no terceiro trimestre (3T25), considerado a prévia operacional.
A produção de petróleo da Petrobras cresceu 18,4% no 3T25 ante igual período do ano passado, permitindo um recorde de exportações da commodity pela estatal, com o avanço operacional de novas plataformas e menor volume de paradas programadas.
Já Vale (VALE3) estendeu o movimento de realizações e fechou em leve queda, apesar da valorização de quase 2% do minério de ferro.
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Exterior
Os índices de Wall Street encerraram a sessão em alta e nas máximas históricas com a expectativa de um acordo comercial entre Estados Unidos e China.
Neste fim de semana, os EUA eliminaram a ameaça das tarifas de 100% sobre as importações chinesas a partir de 1º de novembro.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, disse que espera que a China adie a implementação de seu regime de licenciamento de minerais de terras raras e ímãs por um ano, enquanto a política é reconsiderada.
Já o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país norte-americano e a China estão prontos para alcançar um acordo comercial, já que ele deve se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, até o final desta semana na Coreia do Sul.
O mercado também continuou a precificar novos cortes nas taxas de juros dos Estados Unidos, após dados recentes de inflação.
No radar, a paralisação (shutdown) do governo já é a segunda mais longa da história, com 27 dias, segue ainda sem perspectiva de acordo entre os democratas e os republicanos.
Confira o fechamento dos índices de Wall Street:
- Dow Jones: +0,71%, aos 47.544,59 pontos — no maior nível nominal histórico;
- S&P 500: +1,23%, aos 6.875,16 pontos — no maior nível nominal histórico;
- Nasdaq: +1,86%, aos 23.637,45 pontos — no maior nível nominal histórico.
Na Europa, os mercados encerraram em alta com o aumento do apetite por risco e expectativa pela decisão do Banco Central Europeu (BCE) na próxima quinta-feira (30). O índice pan-europeu Stoxx 600 renovou recorde pela terceira sessão consecutiva.
Na Ásia, os índices fecharam em forte alta com expectativas de acordos comerciais com os Estados Unidos. Em destaque, o índice Nikkei, do Japão, superou os 50 mil pontos pela primeira vez e encerrou a sessão com alta de 2,46%, aos 50.512,32 pontos.
Há a expectativa de que a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, tenha um encontro bilateral com Donald Trump ainda nesta semana, durante visita do presidente norte-americano ao Japão.
Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve avanço de 1,05%, aos 26.433,70 pontos, com o acordo dos EUA e a China sobre terras raras e a suspensão das tarifas de importação de Trump sobre os produtos chineses.